Vicente de Paula Cavalcante de Albuquerque

Vicente de Paula Cavalcante de Albuquerque nasceu no dia 19 de julho de 1852 no Município de Apodi, que está localizado na região de Mossoró, distante 339 quilômetros da cidade de Natal, sendo filho de Trajano Cavalcante de Albuquerque e de Isabel Maria de Albuquerque.
Algum tempo depois, em uma data desconhecida, diante de conflitos dentro de sua família paterna por conta da partilha de herança, migrou com os seus pais para o Município de Quixeramobim, dentro do território da Província do Ceará.
Em Quixeramobim a sua família se estabeleceu em uma localidade denominada de Dois Riachos, próximo de um povoado chamado de Boa Viagem, que nesse tempo era conhecido também pela alcunha de “Cavalo Morto”.

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2000: Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Mais tarde, entre 1890 e 1892, por conta da Proclamação da República, um de seus irmãos, Manuel Henrique de Albuquerque, foi indicado pelo Governo do Estado a compor uma das cadeiras do Conselho de Intendência do Município de Boa Viagem.

“Logo após à Proclamação da República, que aconteceu no dia 15 de novembro de 1889, conseguiu ser designado pelo Governo do Estado como um dos membros do Conselho de Intendência do Município de Boa Viagem, ocupando a vaga que foi deixada por motivo de incompatibilidade de José Rabêlo e Silva, exercendo o seu cargo do dia 22 de agosto de 1891 até o dia 31 de março de 1892, quando foi definitivamente exonerado para ocupar outra função.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/manuel-henrique-de-albuquerque/. Acesso no dia 24 de julho de 2020)

Depois disso, com a reimplantação das Câmaras Municipais, esse irmão ingressou na vida pública do Município de Boa Viagem por meio de um mandado eletivo, fato que se repetiu em outras legislaturas, conseguindo chegar à Intendência Municipal e ainda projetando Henrique Cavalcante de Albuquerque como seu sucessor na Câmara Municipal.
Mais tarde, contando com o apoio de seus irmãos, compondo os quadros políticos do PRF – o Partido Republicano Federalista, conseguiu ser eleito ao exercício de seu primeiro mandato na legislatura que teve início no dia 10 de junho de 1900 e foi concluída em 10 de junho de 1904.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem no fim da década de 1940.

Nessa legislatura uma das ações de maior importância executada pelo Poder Legislativo está registrada no ofício enviado no dia 2 de outubro de 1902 ao presidente do Estado do Ceará, o Dr. Pedro Augusto Borges, relatando o estado de penúria e de miséria a qual se encontrava a nossa população, que nessa época era castigada por uma terrível estiagem:

“Paço da Câmara Municipal da Vila de Boa Viagem em 2 de outubro de 1900. Exmo. Sr. O acrisolado espírito de patriotismo de V. Exc. o amor as instituições republicanas e o extremo interesse pela prosperidade desse Estado, mormente na crise calamitosa porque ele passa, com uma secca exterminadora, acompanhada de assombroso cortejo da peste…. para satisfazer um restricto e sagrado dever, não só para scientificar a V. Exc. o estado de miséria a que está reduzido a este Município…. Este Município, Exmo. Sr. Não tendo tido ao menos uma chuva regular, ficou todo ele reduzido a miséria pela falta de pastagem e água e nestas circunstancias a população esgotada de meios para sua subsistência em conseqüência da seca do anno de 1898 e extraordinárias inundações feitas pelo inverno do anno próximo passado, grande parte dela emigrou…. que vai extinguindo o gado vacum e cavallar, a peste assolando em diversos Municípios e a população inanida morrendo de fome…” (CAVALCANTE MOTA, 1999: p. 90)

Esse período de governo foi marcado também por uma epidemia de varíola, que dizimou a vida de diversas pessoas.
No dia 7 de março de 1904, juntamente com os seus familiares, foi surpreendido pela notícia do falecimento de seu pai, que era natural do Apody, no Estado do Rio Grande do Norte, e veio a óbito aos 82 anos de idade na localidade de Dois Riachos.
Pouco tempo depois, no dia 25 de novembro de 1906, na mesma localidade, juntamente com os seu familiares, foi a vez de lamentar pelo falecimento de sua mãe, que veio a óbito aos 87 anos de idade.
Na eleição municipal seguinte conseguiu ser reconduzido para o desempenho de seu segundo mandato parlamentar, que teve início no dia 10 de junho de 1904 e foi encerrado no dia 10 de junho de 1908.
Segundo matéria publicada no Jornal do Ceará, edição do dia 22 de abril de 1904, nº 20, página 4, a disputa eleitoral que definiu os componentes dessa legislatura ocorreu no dia 1º de maio, uma eleição que ficou marcada em todo Estado por fraudes e violência, especialmente em Boa Viagem, onde segundo esse periódico José Rabêlo e Silva criou meios para garantir o sucesso eleitoral daqueles que apoiavam a Oligarquia Accioly.

Imagem do artigo de jornal.

Nessa legislatura, como ocorreu na anterior, participou da escolha do intendente municipal, cadeira que foi ocupada nesse período primeiramente por Francisco de Assis Marinho e logo depois por Manoel de Assis Marinho.
Em 1907 recebeu uma nova recondução ao Poder Legislativo, sendo o seu terceiro mandato encerrado em 1910.
Nos últimos anos da década de 1920, segundo relatos de Antenor Gomes de Barros Leal, a sua propriedade foi atacada pelo bando de Zé Mourão, um famoso criminoso que assustou a região.

“Seu nome causa frêmito de terror. Pouco tempo antes de assassinar o vaqueiro, estivera envolvido em cerrado tiroteio no ‘Juazeiro do Quintino’ e nos ‘Dois Riachos’, duas fazendas próximas a Boa Viagem. Sendo a última de Vicente Trajano. Zé Mourão e seus asseclas, acobertados pela escuridão da noite, com cartucheiras cheias e punhais na cintura, caminharam através da mata e aproximaram-se em silêncio do local a ser assaltado. Os cães, fiéis amigos, deram alarme num latido assombroso, triste e nervoso, o que levou as armas os moradores da fazenda que, corajosamente e sem trégua, sustentaram o pipocar de armas por muitos minutos. Os audazes atacantes puseram-se em fuga, pela segunda vez, pois também haviam sido banidos da primeira fazenda que visitaram. Essa foi a última investida do bandido nos sertões de Boa Viagem.” (BARROS LEAL, 1996: p. 30)

Mais tarde, segundo informações existentes no livro C-04, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 1.004, página 18, faleceu em Dois Riachos, na zona rural do Município de Boa Viagem, aos 96 anos de idade, no dia 26 de setembro de 1950.
Logo após o seu óbito, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no mausoléu da família existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, no Centro da cidade de Boa Viagem.

Imagem de seu túmulo, em 2020.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BARROS LEAL, Antenor Gomes. Recordações de um Boticário. 2ª edição. Fortaleza: Henriqueta Galeno, 1996.
  2. CAVALCANTE MOTA, José Aroldo. História Política do Ceará (1889-1930). Fortaleza: ABC, 1999.
  3. FERREIRA NETO, Cicinato. A Tragédia dos Mil Dias: A seca de 1877-79 no Ceará. Fortaleza: Premius, 2006.
  4. IBGE. Histórico do Município de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017.
  5. PEIXOTO, João Paulo M.; PORTO, Walter Costa. Sistemas Eleitorais no Brasil. Brasília: Instituto Tancredo Neves, 1987.
  6. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Manuel Henrique de Albuquerque. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/manuel-henrique-de-albuquerque/. Acesso no dia 24 de julho de 2020.
  7. VIEIRA JÚNIOR, Antônio Otaviano. Entre Paredes e Bacamartes. História da Família no Sertão (1780-1850). Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2004.

Deixe uma resposta