Pe. Irineu Limaverde Soares

pe-irineu-limaverde-soaresIrineu Limaverde Soares nasceu no dia 6 de janeiro de 1906 no Sítio Fábrica, na zona rural do Município do Crato, que está localizado na região Sul do Estado do Ceará, distante 567 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Antônio José Soares e de Maria Limaverde Soares.
Poucos dias depois do seu nascimento, em 4 de abril, seguindo os preceitos da confissão religiosa de seus pais, foi levado à pia batismal da Igreja Matriz de Nossa Srª da Penha, onde foi batizado pelo Pe. Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva.
Era descendente de algumas das principais famílias que povoaram o Cariri cearense no início do século XVII:

“Mateus Ferreira Lima – Marido de Luzia de Oliveira, sergipana, filha do português Antônio de Oliveira e da sergipana Isabel de Oliveira. Residentes no Sítio Corrente (Crato), figuram como ancestrais dos Ferreira Lima, Pereira Maia, Limaverde e outros. Alguns descendentes do casal: Cel. José Francisco Pereira Maia, deputado provincial; Dr. Álvaro Maia, ex-governador do Amazonas; Pe. Juvenal Colares Maia, Dr. Miguel Limaverde, Pe. Irineu Limaverde Soares e o Mons. Francisco de Holanda Montenegro.” (MACÊDO, 1985: p. 102)

Pouco sabemos sobre a sua formação e despertamento vocacional, temos conhecimento apenas de que em sua juventude, quando fixou residência no interior do Estado do Maranhão, aprendeu a caçar no intuito de se alimentar, um dos hábitos que caracterizaram o seu ministério por onde pastoreou.
Alguns anos depois, nos primeiros anos da década de 1930, almejando seguir o ministério eclesiástico, foi encaminhado aos estudos necessários ao exercício do sacerdócio no Seminário Episcopal do Ceará, atual Seminário da Prainha, que está localizado na Rua Tenente Benévolo, nº 201, Centro, na cidade de Fortaleza.
Mais tarde, no dia 6 de dezembro de 1936, depois de algum tempo de estudos, recebeu as suas ordens presbiterais do bispo do Crato, Dom Francisco de Assis Pires, na Capela de Nossa Srª da Conceição, a sua terra natal.
Pouco tempo depois, no dia 23 de dezembro, por ordens da diocese, assumiu as atividades pastorais da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Ibicuitaba, uma pequena vila de pescadores pertencente ao Município de Aracati, que antes era conhecida pelo topônimo de Areias:

“Em 6 de janeiro de 1938 foi inaugurado o novo altar-mor, de cimento armado, com lindos nichos e insinuantes traços de arte sacra, pelo Pe. Irineu Limaverde Soares, que estava se despedindo de Areias.” (BARROSO, 1999: p. 68)

Depois disso, no dia 28 de dezembro de 1937, logo após a inesperada e desagradável saída do Pe. Francisco de Assis Castro Monteiro da freguesia de Nossa Senhora da Boa Viagem, recebeu designação pastoral do arcebispo, D. Manoel da Silva Gomes, para assumir o seu lugar nessa paróquia.
Poucos dias depois, chegando à cidade de Boa Viagem, tomou posse de sua provisão no dia 16 de janeiro de 1938 em uma missa que foi realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Inexperiente diante de uma comunidade de difícil pastoreio, poucos dias depois, em 25 de fevereiro de 1938, recebeu uma nova designação, dessa vez a diocese resolveu realizar uma permuta entre as paróquias de Trairi e de Boa Viagem.
Da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento veio para Boa Viagem o Mons. José Gaspar de Oliveira, enquanto o Pe. Irineu seguiu para a sua nova designação, onde tomou posse no dia 3 de março de 1938.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento em Trairi.

Imagem da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Livramento, na cidade de Trairi.

Permaneceu na freguesia do Trairi, que está localizada no litoral cearense, até o dia 20 de dezembro de 1941, quando a diocese de Fortaleza, através do seu novo arcebispo, D. Antônio de Almeida Lustosa, resolveu fazer uma nova permuta.
Dessa vez a Paróquia do Trairi recebeu o pároco da freguesia de Aracoiaba, o Pe. Demétrio Eliseu de Lima, enquanto o Pe. Irineu assumiu o seu lugar na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Assumiu essa nova designação, Aracoiaba, que está localizada na região da Serra do Baturité, no dia 18 de janeiro de 1942, até que, um ano depois, em 7 de janeiro de 1943, foi nomeado vigário da Igreja Matriz de São José de Ribamar, na cidade de Aquiraz, deixando Aracoiaba aos cuidados do Pe. Domingos Rodrigues de Vasconcelos:

“Sem ter feito anotações diárias, o Pe. Irineu Limaverde, que passou 3 anos e 4 meses em Aquiraz, registrou à saída: trabalhos no Salão Paroquial, que estava em preto e no aberto – e ficou apto a funcionar, embora não concluído; construção do oratório de Mangabeira – inaugurado a 24 de junho de 1945, e início da Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, na Prainha, que ficou inacabada, mas coberta.” (BARROSO, 1999: p. 15)

Conta-se que o Pe. Irineu era alcoólatra e não cumpria os votos de castidade, chegando ao cúmulo de fugir com a esposa do juiz dessa cidade.
Nessa época, ao chegar à Paróquia de São José de Ribamar, deu continuidade as atividades pastorais deixadas pelo Pe. Odílio Lopes Galvão.

Imagem da Igreja Matriz de São José de Ribamar, na cidade de Aquiraz, em 2012.

Imagem da Igreja Matriz de São José de Ribamar, na cidade de Aquiraz, em 2012.

Na cidade de Aquiraz, mesmo enfrentando algumas dificuldades de locomoção, procurava dar toda assistência necessária as comunidades da paróquia que estão espalhadas pela zona rural do Município, entre elas a vila de Tapera:

“No ano de 1943, mais especificamente no dia 3 de outubro, a Igreja já estava coberta e o Pe Irineu Limaverde Soares era o Pároco de Aquiraz. Foi a partir desta época que começou na Tapera, os festejos do Padroeiro São Francisco de Assis.” (S.N.T)

No dia 16 de maio de 1946 voltou a presidir os trabalhos da freguesia do Trairi, tomando posse dessa função no dia 20 de junho, algum tempo depois, no dia 24 de fevereiro de 1952, mais experiente com as dificuldades do ministério, por nomeação da diocese, retornou ao comando da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, nessa ocasião tomou posse no lugar do Pe. Alberto Nepomuceno de Oliveira, conforme registra o Livro de Tombo nº II dessa paróquia:

“Aos vinte e quatro dias do mês de fevereiro do ano de mil novecentos e cinquenta e dois, pelas nove horas da manhã, na matriz da Paróquia de Boa Viagem, na presença das testemunhas abaixo assinadas, e de grande número de fiéis, tomei posse como vigário desta freguesia, nomeado por provisão datada de quinze de fevereiro do ano em curso e assinado por S. Excia. Revma., o Sr. Arcebispo D. Antônio de Almeida Lustosa, observando o cerimonial, sem que houvesse contestação alguma.”

Permaneceu nesse cargo até o dia 1º de março de 1958, quando em seu lugar assumiu o Pe. Elpídio de Sousa Sampaio.
No ano seguinte, depois que saiu da freguesia de Boa Viagem, retornou para a sua terra natal, onde serviu, a pedido do Pe. Rubens Gondim Lóssio, como cooperador da Paróquia de Nossa Srª da Penha:

“Em 1959 o Pe. Rubens pediu ao Bispo que designasse o Pe. Irineu Limaverde como seu cooperador, com residência na zona rural: Santa Fé, Nazaré e Dom Quintino – foi o início do processo de subdivisão da grande freguesia de N.S. da Penha.” (BARROSO, 1999: p. 308)

Paralelamente as suas atividades pastorais deu forte contribuição ao setor acadêmico da Faculdade de Filosofia do Crato até que, no dia 27 de abril de 1984, faleceu contando 78 anos de idade.

“Padre Joaquim Ferreira Limaverde, nascido em 1793, deixou vigorosa descendência: os Limaverde do Cariri e do Ceará. Por Exemplo: Miguel Limaverde, médico; Padre Irineu Limaverde Soares, professor da Faculdade de Filosofia do Crato, Monsenhor Francisco de Holanda Montenegro, professor da mesma faculdade e diretor do Colégio Diocesano do Crato…” (MACÊDO, 1970: p. 29)

BIBLIOGRAFIA:

  1. LIRA, João Mendes. Subsídios para a História Eclesiástica e Política do Ceará. Fortaleza: Companhia Brasileira de Artes Gráficas, 1984.
  2. BARROSO, Francisco de Andrade. Igrejas do Ceará. Crônicas Histórico-Descritivas. 2º v. Fortaleza: LCR Editora, 1999.
  3. MACÊDO, Joaryvar. Povoamento e Povoadores do Cariri Cearense. Fortaleza: Secretaria da Cultura e Desporto, 1985.
  4. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  5. SILVEIRA, Aureliano Diamantino. Ungidos do Senhor na Evangelização do Ceará (1700-2004). 1º Vol. Fortaleza: PREMIUS, 2004.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 459, de 21 de março de 1988, uma das ruas do Bairro de Nossa Srª de Fátima, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.