O Encontro das Pedras

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

O Encontro das Pedras é um local com forte potencialidade turística que existe nas proximidades da Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, no Centro da cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Encontro das Pedras

Imagem do Encontro das Pedras, em 2013.

Esse simples e despretensioso local, que pode ser perfeitamente incluído dentro de um roteiro turístico, é um importante marco da história política do Município de Boa Viagem.

UM POUCO DE SUA HISTÓRIA:

Depois das disputas eleitorais que foram encerradas no dia 3 de outubro de 1958, o prefeito do Município de Boa Viagem, o Dr. Gervásio de Queiroz Marinho, que era do PSD, o Partido Social Democrático, propositalmente modificou o tipo de pedra que foi utilizada no calçamento que passou na frente da residência de seu principal adversário político, o Dr. José Maria Sampaio de Carvalho, que era a principal figura política da UDN, a União Democrática Nacional, e concorreu contra ele nesse pleito.

O Encontro das Pedras.

Imagem do Encontro das Pedras, em 2013.

Nessa gestão, nos últimos meses de 1962, o Governo Municipal conseguiu recursos para pavimentar as principais ruas do Centro da cidade utilizando o paralelepípedo, uma pedra que é em formato retangular, mas, quando chegou na frente das residências dos seus adversários, a pedra que passou a ser utilizada foi a tosca, que não tem um formato definido e é bem mais incomoda para os pedestres.
Na disputa eleitoral seguinte, que ocorreu no dia 7 de outubro de 1962, o Dr. José Maria Sampaio de Carvalho deu o seu apoio político ao Dr. Manuel Vieira da Costa, o “Nezinho”, que era seu vizinho e conseguiu ser eleito ao Poder Executivo, dando início à derrocada da “Oligarquia Araújo” no cenário político do Município de Boa Viagem.
Alguns anos mais tarde, já na gestão do Prefeito Benjamim Alves da Silva, esse local passou por uma grande transformação depois da construção do Centro Administrativo Governador Virgílio de Morais Fernandes Távora e dos outros elementos que compõem o Paço Municipal.

“Alguns anos depois, nos primeiros anos da década de 1980, na gestão do Prefeito Benjamim Alves da Silva, desejando construir um edifício para abrigar o centro administrativo do Poder Executivo em uma área nobre da cidade, o Governo Municipal negociou parte do terreno dessa praça com o administrador do patrimônio da Paróquia, que na época era gerenciado pelo Pe. Paulo Ângelo de Almeida Medeiros.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/praca-monsenhor-jose-candido-de-queiroz-lima-2/. Acesso no dia 14 de novembro de 2017)

Nos últimos meses de 1999, no período da gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, esse local recebeu uma valiosa revitalização de seus equipamentos depois da reforma da Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, da construção do canteiro central em pedra portuguesa, que divide as duas mãos do trânsito e de uma melhor iluminação.

Imagem desse local nos primeiros meses de 2000.

Embora esse local já tenha sido identificado como potencial ponto de exploração do turismo, o Governo Municipal nada tem feito para o preservar, nem mesmo emitindo um simples lei de tombamento para a sua preservação.

A PRESERVAÇÃO DESSE MARCO HISTÓRICO:

O Município de Boa Viagem dispõe de uma Secretaria da Cultura, Turismo e Lazer, mas a referida ainda não dispõe de uma lei de tombamento do patrimônio histórico do Município, com isso muita coisa já foi destruída e esse equipamento é mais um que está na lista daquilo que em breve pode desaparecer.

O Encontro das pedras.

Imagem do Encontro das Pedras, em 2010.

Por não existir uma política pública de valorização da história local, esse espaço urbano é pouco conhecido, e por isso não é divulgado entre os turistas que procuram conhecer a nossa cidade.
Esse curioso equipamento está localizado em uma região nobre da cidade, próximo ao Marco Zero do Município, em um local onde existe uma forte especulação imobiliária e ocasionalmente, quando o SAAE, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto, precisa recuperar algum tipo de tubulação, parte do pavimento é removido e quando é reposto nem sempre respeita a colocação correta do pavimento, contribuindo ainda mais para descaracterização desse importante local.
Sobre essa preservação, conforme o artigo 237 da Constituição Estadual, a Lei Orgânica deixa bem clara a competência do Município em seu artigo 157, que nos diz o seguinte:

“Promover o levantamento, o tombamento e a preservação de seu patrimônio histórico e cultural, em articulação com a Secretaria de Cultura e Desporto do Estado e com o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)”.

Nos primeiros meses de 2015, sem nenhum tipo de intervenção do poder público, parte desse patrimônio foi coberto com concreto pelo proprietário de uma das residências do local, que não despertou para explorar comercialmente a sua excelente localização.

AS NECESSIDADES URGENTES:

Para que esse local seja preservado faz-se necessário que o Governo Municipal e a população siga os seguintes passos:

  1. Criação de uma lei de tombamento;
  2. Análise e tombamento pelo Conselho Municipal da Cultura;
  3. Restauração do equipamento para sua originalidade;
  4. Identificação do equipamento com placas informativas;
  5. Divulgação do equipamento nas mídias sociais;
  6. Utilizar às escolas como veículo de divulgação e preservação da história local.
Imagem aérea do Encontro das Pedras, em 2015.

Imagem aérea do Encontro das Pedras, em 2015.

AS SUAS CARACTERÍSTICAS:

O Encontro das Pedras, que possui uma intencionalidade turística por conta de sua história, apresenta algumas características físicas, sendo elas:

Caçadas: 2,50m.
Canteiro Central: 2,10m.
Rua: 6,60m.
Material: Pedra tosca e paralelepípedo.
Tombado: Não.
Vigilância: Sim.
Iluminação: Sim.
Identificação: Sim.
Inauguração:
Responsável: Secretaria da Infraestrutura.
Ano de Construção: 1961.

2 ideias sobre “O Encontro das Pedras

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