Mons. Francisco de Sales Cavalcanti

Mons. Francisco de Sales CavalcanteFrancisco de Sales Cavalcanti nasceu no dia 30 de abril de 1911 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Joaquim Bezerra Cavalcanti e de Raimunda de Carvalho Cavalcanti.
Poucos dias depois do seu nascimento, em 5 de maio, seguindo o costume da confissão religiosa de seus pais, recebeu o sacramento do batismo pelas mãos do Mons. José Cândido de Queiroz Lima.
Ainda bem jovem, sentindo-se vocacionado ao exercício do sacerdócio, foi encaminhado pela Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem aos estudos teológicos no Seminário Episcopal do Ceará, atual Seminário da Prainha, que está localizado na Rua Tenente Benévolo, nº 201, Centro, na cidade de Fortaleza, onde concluiu o curso de Bacharel em Teologia.
Algum tempo depois, sendo transferido para o Seminário de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de João Pessoa, no Estado da Paraíba, concluiu o curso de Bacharel em Filosofia:

“Ainda teólogo, lecionou no Seminário de Santa Terezinha, na cidade de Mossoró e no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em João Pessoa.” (SILVEIRA, 2004: p. 499)

Mais tarde, no dia 17 de janeiro de 1943, quando residia na cidade de Manaus, no Estado do Amazonas, foi ordenado sacerdote romano, pelo bispo diocesano, Dom João da Mata Andrade e Amaral.
No dia seguinte, em 18 de janeiro, recebeu designação pastoral para servir como vigário cooperador da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, na cidade de Maués, e da Paróquia de Nossa Senhora do Bom Socorro, na cidade de Barreirinha, tomando posse dessa função no dia 10 de março e cantando a sua primeira missa alguns meses antes, no dia 24 de janeiro.
Pouco tempo depois, no dia 15 de junho, assumiu o comando das duas paróquias, permanecendo nessa atividade até os primeiros meses de 1944, quando mudou de domicílio.
No dia 30 de janeiro de 1945 foi nomeado vice-diretor do Ginásio Santa Luzia, na cidade de Mossoró, no Estado do Rio Grande do Norte, permanecendo com essa função até o dia 8 de fevereiro de 1946.

“Acolhido carinhosamente pelo bom e hospitaleiro povo desta cidade de Mossoró, desde o inesquecível dia 10 de janeiro de 1945, quando aqui cheguei, vindo do Amazonas, para pertencer definitivamente a esta Diocese, atendendo aos amáveis convites do Exmo. e Revmo. Sr. Dom João Batista Portocarrero Costa, de saudosa memória, sinto-me satisfeito e bem recompensado por ter a subida honra de figurar, hoje, na brilhante galeria dos ilustres diretores do venerado e muito querido Colégio Diocesano de Santa Luzia.” (CAVALCANTI, 2002: p. 7)

No ano seguinte, no dia 12 de janeiro, foi nomeado diretor dessa escola, assumindo essa função no dia 8 de fevereiro. A sua primeira atitude nesse cargo foi mandar fazer uma limpeza geral no velho edifício, de forma que melhorou a sua aparência e por conta dessa simples atitude, de 15 alunos no internato a escola passou a contar com 31.

“Sentindo-se com a saúde abalada, solicitou ao Sr. bispo a sua substituição, para que ele pudesse se dedicar exclusivamente a nova obra. Dessa forma, em 27 de fevereiro de 1949, numa sessão muito simples, realizada na sala de professores, com a presença do Sr. bispo e de alguns mestres, passou a direção do ginásio ao Revmo. Pe. Cornélio Wokke, de nacionalidade holandesa. O Pe. Cornélio permaneceu nessa função até o ano de 1954 até que, no dia 29 de dezembro, a direção do Ginásio Santa Luzia volta às mãos do Cônego Sales Cavalcanti.” (MAIA, 1998: Francisco Sales Cavalcante. Disponível em jotamaria-franciscosles.blospot.com.br. Acesso em 10 de maio de 2016)

Algum tempo depois, no dia 9 de junho de 1956, conseguiu transformar em realidade uma de suas principais ambições, construir um novo edifício, que era maior e mais confortável, onde tinha melhores condições para abrigar um número maior de alunos.
No ano seguinte, no dia 14 de dezembro, solicitou afastamento de suas funções administrativas dessa escola alegando problemas de saúde.
Antes disso, no dia 12 de junho de 1951, foi abalado com a triste notícia do desastre aéreo que vitimou várias pessoas, entre elas a do governador do Estado, Jerônimo Dix-Sept Rosado Maia:

“Junto com o governador morriam também o Agrônomo Felipe Pegado Cortez, Secretário da Agricultura, José Borges de Oliveira, Diretor Geral do Departamento das Municipalidades e José Gonçalves de Medeiros, Diretor da Imprensa Oficial. O desastre ocorreu no Rio do Sal, nas proximidades do campo de pouso de Aracaju, em Sergipe, com o avião de prefixo PP-LPG das ‘Linhas Aéreas Paulistas, LAP’.” (MAIA, 2015: 64 anos da morte de Dix-Sept Rosado Mais. Disponível em www.blogdogemaia.com. Acesso em 28 de abril de 2016)

Pouco tempo depois desse fato, no dia 30 de setembro de 1953, na cidade de Mossoró, foi erigido um busto em homenagem ao falecido, nessa ocasião acorreu uma solenidade de inauguração, que contou com a sua presença, onde foi um de seus oradores:

“A inauguração se deu no dia 30 de setembro de 1953, com a presença do Governador Sílvio Pizza Pedrosa, na qualidade de chefe do executivo potiguar e orador oficial da cerimônia, em companhia de vários auxiliares da administração e representações do Tribunal de Justiça do Estado, Assembleias Legislativa e Prefeitos de vários municípios do Estado. Proferiram discursos o Dr. José Fernandes Vieira, juiz de Direito da Comarca, que falou em nome da Comissão promotora e do poder público municipal, O vereador Manuel de Aguiar Gusmão, representando o município de Ceará Mirim, sede da ideia do monumento, levantada na Câmara daquela cidade pelo vereador Antônio Eduardo Freire, discursando ainda o Padre Francisco de Sales Cavalcanti, representando o Governo Diocesano de Mossoró. Encerrando a cerimônia falou o então Deputado Federal Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia em nome da família do Governador homenageado.” (MAIA, 2015: 64 anos da morte de Dix-Sept Rosado Mais. Disponível em www.blogdogemaia.com. Acesso em 28 de abril de 2016)

No dia 12 de dezembro de 1954, também na cidade de Mossoró, foi sagrado cônego pelo bispo diocesano, Dom Elizeu Simões Mendes.
Amante declarado da cultura, no dia 14 de agosto de 1959 se associou a UBERN, União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte, participando ativamente da primeira fase dessa agremiação, sendo por isso considerado um de seus precursores.

Imagem do Mons. Sales em uma das vezes em que esteve na cidade de Boa Viagem.

Imagem do Mons. Sales em uma das vezes em que esteve na cidade de Boa Viagem.

Participou também, como sócio correspondente, da Revista do Instituto Histórico do Ceará, por onde publicou diversos artigos, entre eles, em 1968, um que trata da vida do “Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima”, e outro, no ano seguinte, que trata da “Origem do nome Mossoró”.

“O Cônego Sales era um homem culto, eficiente sacerdote e de grande iniciativa profissional. Prestou relevantes serviços a cidade de Mossoró, principalmente na área educacional. Deixou valiosíssimas obras para história de Mossoró… Foi sócio fundador do ICOP – Instituto Cultural do Oeste Potiguar. Quando foi criada a Academia Mossoroense de Letras, o Prof. Vingt-un Rosado o convidou para integrar os quadros de imortal daquela instituição. Ele não aceitou. Passava por momento difícil com problemas pessoais.” (MAIA, 1998: Francisco Sales Cavalcante. Disponível em jotamaria-franciscosles.blospot.com.br. Acesso em 10 de maio de 2016)

No dia 30 de setembro de 1965, de acordo com os arquivos da Fundação Biblioteca Nacional, recebendo o apoio do Governo Municipal de Mossoró, concorreu ao prêmio Tércio Rosado com a obra: “Um mossoroense pioneiro do cooperativismo no Rio Grande do Norte”, produzindo depois outras obras literárias:

“Escreveu quatro valiosos trabalhos: ‘Monsenhor Luiz Motta: Traços biográficos’, ‘Apontamentos sobre a História do Colégio Diocesano Santa Luzia de Mossoró’, ‘Jesus Cristo existiu?’ e ‘Subsídios para a História de Boa Viagem’, além de poesias, crônicas e sonetos.” (NASCIMENTO, 2002: p. 218)

No dia 13 de fevereiro de 1979, por conta de suas elevadas virtudes, foi sagrado monsenhor pelo bispo diocesano, Dom Gentil Diniz Barreto.

“Era um homem que encarava a vida dentro de sua própria realidade. Já velho e sentindo-se abandonado, tornou-se amargo. São dessa época os seguintes pensamentos: ‘Amigos, jamais tive em minha vida. Só tive máscara dos sorridentes, hipócritas em busca de acolhida, procurando favores complacentes’. Dizia que, ‘a maior desgraça para um homem estudioso é viver entre presunçosos e ignorantes’. Quando perguntado do que gostava, respondeu que ‘amava apaixonadamente o dinheiro, que ele considerava a única razão de ser de todo o movimento do mundo’. E sobre as coisas que detestava, enumerou da seguinte forma: ‘1º) Qualquer trabalho por imposição; 2º) Qualquer espécie de jogo; 3º) Vizinhos, crianças e cachorros; 4º) Visitas (receber ou fazer); 5º) Escrever cartas e sair de casa a noite; 6º) Tomar parte em qualquer festa, religiosas ou profanas, principalmente quando há discursos e poesias; 7º) Viajar ou assumir qualquer responsabilidade.” (MAIA, 1998: Francisco Sales Cavalcante. Disponível em jotamaria-franciscosles.blospot.com.br. Acesso em 10 de maio de 2016)

Alguns anos depois, no dia 5 de dezembro de 1991, faleceu na cidade de Fortaleza, aos 80 anos de idade.
Logo após o seu falecimento, seguindo o costume, o seu corpo recebeu às exéquias fúnebres e foi sepultado no Cemitério de São João Batista, que está localizado na Rua Pe. Mororó, s/nº, no Bairro Jacareacanga, na cidade de Fortaleza.
No dia 30 de abril de 2011, conforme matéria publicada pelo jornal O Mossoroense, na passagem do centenário de seu nascimento, o ICOP, o Instituto Cultural do Oeste Potiguar, realizou uma sessão em sua homenagem:

“No dia 30 de abril deste ano o Monsenhor Francisco de Sales Cavalcanti estaria completando cem anos de idade, se fosse vivo. Em homenagem à data, o Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP) vai realizar uma sessão especial na capela do Colégio Diocesano Santa Luzia, na sexta-feira, 29, às 19h. Na ocasião, haverá também o lançamento da 13ª edição da Revista Oeste. O evento é aberto à sociedade. O presidente do ICOP, Clauder Arcanjo, lembra a importância do monsenhor, que, embora cearense de origem – nasceu no Município de Boa Viagem -, teve grande importância para as sociedades mossoroense e potiguar. Entre outras coisas, foi um dos fundadores do instituto cultural que agora lhe prestará homenagem. Arcanjo destaca também o fato de o religioso ter conseguido mobilizar a sociedade para, no passado, mudar as instalações do Colégio Diocesano Santa Luzia para um prédio mais amplo, que oferece uma estrutura mais adequada ao seu funcionamento. ‘Por isso essa homenagem é uma parceria do ICOP com o Colégio Diocesano’ disse o presidente. ‘Ele foi um dos fundadores do ICOP, fez parte da primeira diretoria, em 1957. No passado, quando era cônego (ele foi cônego e faleceu como monsenhor), a diocese sempre tinha vontade de conseguir instalações mais amplas para o Colégio Diocesano, que antes ficava ali onde hoje é uma das agências do Banco do Brasil (no Centro, em frente à Catedral de Santa Luzia)’, contou. E completa: ‘E ele conseguiu mobilizar a sociedade para isso’. O Colégio Diocesano Santa Luzia está, até hoje, instalado no prédio conseguido por intermédio dessa mobilização. A homenagem parte, portanto, de duas instituições, uma de ensino, outra cultural, que Monsenhor Sales ajudou a firmar em Mossoró. ‘Então, é uma forma de a gente reconhecer a importância do monsenhor, uma homenagem do ICOP a essa figura’, complementa Arcanjo.”

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVALCANTI, Francisco de Sales. Monsenhor Luiz Mota. Traços Biográficos. Mossoró, 1967.
  2. CAVALCANTI, Francisco de Sales. 1842-1992, Paróquia de Santa Luzia, 150 anos. Coleção FUNSERN. Volume XI. Natal, 1992.
  3. CAVALCANTI, Francisco de Sales. Apontamento sobre a História do Colégio Diocesano Santa Luzia de Mossoró – Rio Grande do Norte. Coleção Mossoroense. Série C. Mossoró, 2002.
  4. COSTA, Amir Nogueira da. Mossoró Nossa Terra. Editora Viena: Mossoró, 2008.
  5. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Encaixe: Boa Viagem, 2002.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 818, de 12 de dezembro de 2002, uma das ruas do Bairro Padre Paulo, na cidade de Boa Viagem,  recebeu a sua nomenclatura.
  2. Outra homenagem a sua memória foi feita pelo governo do Estado do Rio Grande do Norte na cidade de Mossoró, pois entre as escolas da rede estadual existe uma unidade de ensino com a sua denominação.