Maria da Penha Silva

Maria da Penha Silva nasceu no dia 7 de setembro de 1912 no Município de Canhotinho, que está localizado no Agreste pernambucano, distante 210 quilômetros da cidade do Recife, sendo filha de Cezario Godoy de Vasconcelos e de Arminda Valença Leite.
Os seus avós paternos se chamavam José de Godoy Vasconcelos e Joana de Godoy Vasconcelos, já os maternos eram Cazuza Amâncio e Águida Valença Leite.
Ainda sabemos pouca coisa de sua infância, nem mesmo quando passou a residir na cidade do Recife, descobrimos apenas que conseguiu receber instrução primária e era uma excelente costureira.
Mais tarde, já habitando na capital, provavelmente no Bairro de Casa Amarela, residia com duas tias, que eram costureiras, sendo elas: Adelaide Valença Leite e Austéria Gonçalves Leite, conhecidas na vizinhança pelos apelidos de “Lalade” e “Teté”.
Nos primeiros anos da década de 1930, não sabemos como, conheceu um jovem mensageiro da Empresa de Correios, que se chamava Exgesso Rafael da Silva, nascido no dia 22 de outubro de 1913, sendo filho de Urbano Rafael da Silva e de Amara Vaz e Silva, sendo desposada por ele no dia 24 de março de 1934.
Desse matrimônio foram gerados onze filhos, cinco homens e seis mulheres, sendo eles: Emilton Rafael da Silva, Emalba da Silva LimaEmelson Rafael da SilvaEmivanete da Silva VieiraExgesso Rafael FilhoEmyrtes Rafael da SilvaEly Rafael da Silva, Eliane da Silva Alves, Elielze Rafael da Silva Martins GatoEliel Rafael da Silva e Elyude Rafael da Silva.

Imagem da família Rafael da Silva, década de 1960.

Imagem de sua família nos anos de 1960.

Estando casada, passou a residir na Rua das Moças, s/nº, no Bairro do Arruda, um local próximo da casa de seu sogro, até que, nos últimos meses de 1936, o seu esposo fez uma solicitação de transferência para o Município de Vertentes, que está localizado no Agreste pernambucano, distante 149 quilômetros da cidade do Recife.
Mais tarde, por conta do número reduzido de funcionários qualificados, o seu esposo recebeu diversas designações de trabalho de seus superiores, tendo a oportunidade de conhecer grande parte das cidades do interior pernambucano, onde construiu muitas amizades.
Nos últimos meses de 1938, provavelmente motivado em conhecer o berço indígena de sua raiz materna, o seu esposo conseguiu transferência para o Município de Pesqueira, que está localizado no Vale do Ipojuca, distante 215 quilômetros da cidade do Recife.

“Segundo informações do Censo de 2010, na Serra do Ororubá, vivem os índios Xukuru, em 24 aldeias, consolidando o Município de Pesqueira como o maior reduto indígena do Nordeste.” (Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Xucurus. Acesso no dia 9 de novembro de 2017)

Nessa época, ao visitar uma de suas irmãs na cidade de Caruaru, que se chamava Débora de Vasconcelos Borges, um simples fato provocou uma enorme mudança na sua vida religiosa.
Nessa ocasião, foi convencida pela pregação do Evangelho ao participar de um simples culto doméstico, ocasião em que ouviu o hino nº 284 do Salmos e Hinos, passando a partir desse momento a professar a confissão protestante, algo que inicialmente não foi do agrado de seu esposo.
Pouco tempo depois, recebendo o sacramento do batismo, nas cidades do interior pernambucano por onde habitou com a sua família, passou a congregar nos trabalhos protestantes existentes na cidade, sejam eles congregacionais, presbiterianos ou batistas.

“Sendo uma mulher piedosa, era comum encontrá-la sentada com todos os seus filhos nos primeiros bancos da Igreja Evangélica Congregacional de Caruaru no intuito ouvir os extensos e ricos sermões que eram proferidos pelo Rev. Júlio Leitão de Melo, o famoso ‘Leão do Norte’, ou do Rev. João Clímaco Ximenes, da Igreja Evangélica Congregacional de Afogados.” (SILVA JÚNIOR, 2015: Eliel Rafael da Silva. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/eliel-rafael-da-silva/. Acesso no dia 7 de setembro de 2018)

Mais tarde, com a fusão dos correios e do telégrafo, segundo informações que foram publicadas no Jornal do Brasil, ano XLIX, nº 2, página 6, edição do dia 4 de janeiro de 1940, o seu esposo foi promovido para função de carteiro, passando a exercer essa atividade no Município de Jurema, distante 195 quilômetros da cidade do Recife, onde passou a residir com a sua família.
Pouco tempo depois dessa conquista, nesse período estando residindo com a sua família no Município de Agrestina, no dia 6 de março de 1943, no auge da Segunda Guerra Mundial, por meio do decreto nº 11.854, o seu esposo foi promovido ao exercício da função de telegrafista.
Nessa época, por conta da entrada do Brasil na II Guerra Mundial, o seu marido foi um dos telegrafistas requisitados pelas forças armadas para monitorar e manter as comunicações entre às tropas brasileiras que estavam aquarteladas pelo litoral aguardando embarque para Europa:

“Alguns anos antes de seu nascimento, no período da II Guerra Mundial, dada à importância das comunicações para a segurança nacional, o seu pai foi requisitado e chegou a ficar alguns dias aquartelado aguardando o embarque das tropas brasileiras para o teatro de guerra europeu, fato que não aconteceu por conta de ser arrimo de família.” (SILVA JÚNIOR, 2014: Eliel Rafael da Silva. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/eliel-rafael-da-silva/. Acesso no dia 10 de novembro de 2017)

Nos primeiros meses de 1946, passou a residir com a sua família no Município de Sirinhaém, na Zona da Mata pernambucana, distante apenas 64 quilômetros da cidade do Recife, onde permaneceu por pouco tempo, pois o seu esposo pediu transferência para o Município de São Joaquim do Monte, no Agreste pernambucano.
Nessa época, ao transitar por esses Municípios, juntamente com a sua família, era cercada de privilégios, pois juntamente com o seu esposo tinha o monopólio de todas as informações da cidade, desde às públicas até as mais particulares, pois também decifrava o código morse.

Imagem de Maria da Penha Silva.

Diante desse fato, juntamente com o seus esposo conseguiu construir valiosos vínculos de amizade com importantes figuras do cenário político, algo que tirou proveito para aos poucos fazer com que alguns dos seus filhos ingressassem no serviço público, dentre eles no próprio Correio.

“Mais tarde, mesmo com essas frequentes mudanças, os seus pais nunca relaxaram na qualidade de sua educação, sempre procurando as melhores escolas das cidades por onde passavam, pois acreditavam que somente uma boa educação, acompanhado de qualificação profissional, seriam capazes de abrir um leque de oportunidades de emprego e colocação profissional.” (SILVA JÚNIOR, 2014: Eliel Rafael da Silva. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/eliel-rafael-da-silva/. Acesso no dia 10 de novembro de 2017)

No dia 3 de junho de 1950, juntamente com o seu esposo, foi surpreendida pela notícia do falecimento de seu sogo, que faleceu aos 79 anos de idade na cidade do Recife.
Mais tarde, por volta de 1955, passou a residir com a sua família no Município de Caruaru, que está localizado no Vale do Ipojuca, 130 quilômetros distante da cidade do Recife.
Nos últimos meses de 1958, residindo durante algum tempo no Município de Água Preta, onde o seu esposo colocou o nome na disputa por uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores, conseguindo uma expressiva votação, mas não atingindo o êxito de seu intento.
Mais tarde, nos últimos anos da década de 1960, quando o seu genro, o Rev. Ezequiel Fragoso Vieira, passou a pastorear a Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem, no Estado do Ceará, rotineiramente passou a visitar essa cidade.
Em uma das vezes em que veio ao Município de Boa Viagem, quando se dirigia para um culto que ocorreu na vila do Boqueirão, a rural em que estava, que era dirigida por Eládio Alves da Silva, sofreu um acidente em uma das rodovias municipais, onde levou uma pancada no estômago, que algum tempo depois se tornou em algo mais grave.
Nos primeiros meses de 1976, depois de algum tempo escondendo o incômodo que sentia, descobriu um tumor maligno em seu estômago, sem nunca abandonar a esperança de ser curada.

Imagem de Maria da Penha Silva em seu leito no Hospital de Santo Amaro, em 1976.

Segundo informações existentes no livro C-02, pertencente ao Cartório de Santo Amaro, da 5ª Zona Judiciária, tombo nº 550, folha 93v, faleceu no dia 1º de junho de 1976 no Hospital de Santo Amaro, prestes a completar 64 anos de idade.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no Cemitério do Município de Camaragibe, que está localizado na Rua Padre Ozeas Cavalcante, s/nº, no Bairro Novo do Camelo.