José Vieira de Freitas Filho

José Vieira de Freitas Filho nasceu no dia 19 de março de 1911 no Município de Catolé do Rocha, que está localizado no Sertão paraibano, distante 411 quilômetros da cidade de João Pessoa, sendo filho de José Vieira de Freitas e de Antônia Egíbia do Nascimento.
Os seus avós paternos se chamavam Pedro Vieira Carneiro e Maria Floriana de Morais, já os maternos eram João Limeira de Sousa e Isabel Delfina da Paixão.
Nascido em um lar profundamente católico viu a sua vida mudar quando por volta de 1927, juntamente com alguns de seus familiares, passou a frequentar os trabalhos de confissão protestante que eram conduzidos pelo Rev. Harry George Briault.

“Por volta de 1927, a convite de um de seus vizinhos, mesmo sendo de confissão católica, passou a participar de algumas atividades religiosas que foram presididas pelo Rev. Harry Gerald Briault e juntamente com a sua família passou a compor um grupo de protestantes que se estabeleceu naquela localidade. Depois disso, nos últimos meses de 1934, em forma de mutirão, esses protestantes conseguiram erguer um pequeno templo, que foi motivo de várias discórdias com a comunidade católica daquela localidade.” (SILVA JÚNIOR, 2015: José Vieira de Freitas. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/jose-vieira-de-freitas/. Acesso no dia 11 de agosto de 2018)

Nesse período, quando essa igreja recebia a sua autonomia administrativa, o seu pai foi escolhido por sua assembleia como seu secretário:

“O trabalho evangélico crescia e em 22 de fevereiro de 1935, numa assembleia memorável e, sobretudo histórica, a congregação foi alçada a posição de igreja e agora recebendo o Rev. Horace M. Murfin, que era ministro do evangelho vinculado a União Evangélica Sul Americana, como seu primeiro pastor. Nesse dia, houve eleição e posse do irmão José Dorotéia Dutra como presbítero e na função de evangelista; os irmãos Amadeu Alves da Silva e Cícero Vieira de Freitas, diáconos; José Vieira de Freitas, ficou como secretário e Sebastião Alves da Silva, tesoureiro.” (CARNEIRO, 2006: p. 30)

Antes disso, no dia 17 de fevereiro de 1933, segundo informações existentes no livro B-07, pertencente ao Cartório de Registro Civil de Catolé do Rocha, tombo nº 28, página 163, contraiu matrimônio com Maria Floriana Vieira, que nasceu no dia 13 de novembro de 1915, sendo filha de Cícero Vieira de Freitas com Rosa Vieira Carneiro.
De seu matrimônio foram gerados onze filhos, mas apenas cinco conseguiram sobreviver, três mulheres e dois homens, sendo eles: Adalcina Vieira de Freitas, Odias Vieira de Freitas, Adelmo Vieira de Freitas, Adelita Vieira Fragoso e Adelcira de Freitas Vieira.

Imagem de um encontro da família.

Nessa época, por conta de um forte movimento de intolerância religiosa ocorrida contra pessoas de sua confissão, acompanhou o seu pai no desejo de conhecer o Estado do Ceará, local para onde alguns parentes e conhecidos haviam migrado algum tempo antes.

“Em 1939, depois da destruição desse templo, quando os protestantes retornaram para localidade, esteve diretamente envolvido nos reparos do templo, até que, depois que uma nova e grave perseguição voltou a acontecer, foi instigado a procurar outro local para residir com a sua família e cultivar a sua fé.” (SILVA JÚNIOR, 2015: José Vieira de Freitas. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/jose-vieira-de-freitas/. Acesso no dia 11 de agosto de 2018)

Depois de chegar ao Município de Boa Viagem, se estabeleceu com a sua família na localidade de Olho d’Água dos Facundos, onde o seu pai comprou uma pequena propriedade, tornando a sua casa em um ponto de pregação da Igreja Evangélica Congregacional de Cachoeira.
Nessa época, em Boa Viagem, passou curtas temporadas residindo nas localidades de Pitombeira, Pedra Branca, Lembranças e Cachoeira.
Quando o clima não favorecia a sua sobrevivência da agricultura, costumava regressar para a Fazenda Favela, uma propriedade de 40 hectares, pertencente ao seu pai, em Brejo dos Santos, no Estado da Paraíba:

“Para matar a nossa sede teríamos de ir buscar água com muito sacrifício, a mercê do favor de proprietários de outras fontes, muito longe, distante mesmo, nas cacimbas da Favela de Zé Vieira, no sítio Baldinho ou nos Panatís de seu Laurindo Nascimento.” (CARNEIRO, 2006: p. 15)

Nos primeiros anos da década de 1950, juntamente com os seu pais, migrou definitivamente com a sua família para o Município de Boa Viagem, vindo a tornar-se um próspero agropecuarista e importante comerciante da região:

“Anos antes, em novembro de 1950, chega a Boa Viagem a família de José Vieira de Freitas (*1880 †1975) e de Antônia Egíbia do Nascimento (*1882 †1958). Em Boa Viagem, como nos referimos anteriormente, já residiam alguns de seus irmãos, além deles, morava uma de suas filhas, Maura Vieira de Freitas, que era casada com um sobrinho seu, Pompeu Fragoso Vieira, filho de Manoel Maria de Jesus, além de outros parentes.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 194-195)

Era um homem trabalhador e cheio de predicados, além de executar trabalhos no campo, também era pedreiro e carpinteiro, ajudando ativamente na construção dos primeiros templos protestantes em Brejo dos Santos e em Boa Viagem:

“Manoel Coqueiro, mais conhecido como Mane Coqueiro, ficou liderando um grupo de homens para bater tijolos; Benedito da Silva, preferiu ficar com a chefia dos pedreiros; Zé Vieira moço, ficava com os carpinteiros – se responsabilizou pela coberta; pela portas e janelas e também pela reforma dos bancos; Zé da Silva, este ficou com a caiação; Amadeu e João Alves, ficaram com a responsabilidade de angariar algum recurso financeiro.” (CARNEIRO, 2006: p. 50)

No pleito eleitoral de 1954, apoiando ao candidato Delfino de Alencar Araújo, transferiu-se para cidade de Boa Viagem, passando a trabalhar na prefeitura e logo depois passou a explorar o ramo comercial de tecidos e aviamentos em um edifício que está localizado na esquina da Rua Agronomando Rangel com a Rua José Leorne Leitão, s/nº, Centro, em sociedade com um de seus genros, David Vieira da Silva:

“Residindo em Boa Viagem, José Vieira Filho e família, passam a engrossar o número de protestantes que se estabeleciam na sede do Município e futuramente constituiriam a Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 197)

Durante anos, enquanto morou na cidade de Boa Viagem, residiu com a sua família na Rua 26 de Junho, n° 215, esquina com a Rua Padre Antônio Correia de Sá, no Bairro Vila Azul, local aonde costumava juntar amigos e familiares para longas e agradáveis conversas.

Imagem da residência de José Vieira de Freitas Filho, em 2009.

Imagem da residência de José Vieira de Freitas Filho, em 2009.

Segundo informações existentes em uma assembleia ocorrida no dia 6 de junho de 1958, juntamente com outros comerciantes, foi afastado da comunhão por insistir em abrir o seu estabelecimento comercial aos domingos, contrariando o artigo 37 do Regimento Interno da Igreja Evangélica Congregacional de Boa Viagem.

“Não tendo, porém, a assembleia se pronunciado sobre a matéria em foco, o sr. presidente sugeriu que se reformasse o Regimento Interno da igreja, revogando-se o parágrafo 5º do artigo 37 do mesmo, a fim de que a igreja não fosse constrangida a disciplinar tantos e tão úteis membros.”

Pouco tempo depois dessa polêmica, graças a um projeto de lei encaminhado à Câmara Municipal pelo Vereador Joaquim Vieira da Silva, foi sugerido o fechamento do comércio aos domingos, algo que não foi aprovado no primeiro momento, mas que retornou à pauta da legislatura que se seguiu e foi aprovado sem suscitar muitas divergências.
Faleceu no Município de Boa Viagem, aos 96 anos de idade, no dia 13 de junho de 2007, depois de enfrentar uma luta contra o câncer de próstata.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado em um mausoléu pertencente a sua família que existe no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, Centro.

Imagem do túmulo da Família Vieira de Freitas, em 2010.

Imagem do túmulo da Família Vieira de Freitas, em 2010.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CARNEIRO, Osmar de Lima. Fotografando o Amor. História de uma igreja perseguida. João Pessoa: JRC, 2006.
  2. COSTA, João Eudes Cavalcante. Retalhos da História de Quixadá. Fortaleza: ABC Editora, 2002.
  3. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  4. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão: A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Boa Viagem, CE: Premius, 2015.
  5. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. José Vieira de Freitas. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/jose-vieira-de-freitas/. Acesso no dia 11 de agosto de 2018.
  6. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Recreio, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.