José Pereira Leite

José Pereira Leite nasceu por volta de 1830, possivelmente no Município de União dos Palmares, na Província de Alagoas, distante 73 quilômetros da cidade de Maceió, sendo filho de João Martins Monteiro e de Maria da Conceição Monteiro.
Em alguns documentos de registro de nascimento de seus netos aparece com o nome de “Cazuza Amâncio”, que julgamos ser apenas um apelido.
Em sua juventude, nos últimos meses de 1858, sendo caixeiro viajante de uma loja de Maceió, fixou residência em Canhotinho, que nessa época era um Distrito pertencente ao Município São Bento do Una, no Estado de Pernambuco.

“Distrito criado com a denominação de Canhotinho, pela lei provincial nº 1,706, de 1º de julho de 1882, subordinado ao Município de São Bento. Elevado à categoria de vila com a denominação de Canhotinho, pelo decreto estadual nº 21, de 2 de outubro de 1890, desmembrado de São Bento. Instalado em 29 de setembro de 1890. Elevado à condição de cidade e sede, com a denominação de Ganhotinho, pela lei estadual nº 607, de 14 de maio de 1903. Pela lei estadual nº 991, de 1º de julho de 1909, é criado o distrito de Palmeira anexado ao município de Canhotinho. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 6 distritos: Canhotinho, Calçado, Jupi, Lajedo, Palmeira e Tepi. Pela lei municipal nº 62, de 24 de abril de 1917, é criado o Distrito de Glicério e anexado ao município de Canhotinho. Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1º de setembro de 1920, o Município é constituído de 7 distritos: Canhotinho, Calçado, Glicério, Lajedo, Jupi, Palmeira e Tepi.” (IBGE, 2010: Disponível em https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/canhotinho/historico. Acesso no dia 5 de julho de 2019)

Estabelecendo-se nessa cidade, contraiu matrimônio com Águida Valença Leite, que era filha do Coronel Luiz Paulino de Holanda Valença e de Maria de Jesus Dantas Valença.
Desse matrimônio foram gerados vários filhos, entre eles citamos: Áureo Valença Leite, Adelaide Valença Leite, Arminda Valença Leite e Austéria Gonçalves Leite.
Em Canhotinho adquiriu uma propriedade que era denominada de “Surucucu”, tornando-se também um pequeno agropecuarista, recebendo a patente de tenente da Guarda Nacional e exercendo diversos cargos públicos.

“Aos 9 de outubro de 1867, por queixa dada ao procurador da Câmara, Dionízio José Correia, ao suplente em exercício de sub-delegado, José Pereira Leite, este tendo como escrivão interino, Deciliano José Marques, iniciou processo contra Manoel Mendes Bezerra, por infração de não ter roçado o caminho de sua propriedade.” (CINTRA, 1984: p. 133)

No dia 18 de março de 1876, juntamente com outros moradores de Canhotinho, no intuito de ser edificado um monumento que relembrasse o glorioso dia da Independência do Brasil, ocorrido em 7 de setembro de 1822, foi nomeado pela Câmara Municipal de Vereadores de São Bento do Una para compor uma comissão que teve por objetivo angariar fundos para construção desse marco na margem do Rio Ipiranga, no Estado de São Paulo.
Mais tarde, conforme matéria publicada no dia 4 de agosto de 1882 no jornal Diário de Pernambuco, página 3, ano LVII, nº 176, temos conhecimento de que era sócio efetivo do Clube Literário existente no Município de São Bento do Una, que se tornou uma célula abolicionista.

“Após a sessão ordinária de 11 de março de 1884, teve lugar a segunda conferência abolicionista. O Sr. José Pereira Leite, encarregado por D. Rosa Maria do Amaral, comunicou, em nome desta, a alforria dos seus escravos de nomes: Joaquim, Damiana, Francisca e Joana, o que foi recebido com grande entusiasmo.” (CINTRA, 1988: p. 118)

Pouco tempo depois, em uma matéria publicada neste mesmo periódico, no dia 14 de novembro, sendo da corrente liberal democrata, concorreu por uma das vagas ao cargo público de juiz de paz do termo de Canhotinho, ficando na segunda vaga ao receber 10 votos, fato que o fez pedir exoneração da função de subdelegado, sendo substituído Jeronimo Ferreira de Morais.
Em 28 de maio de 1885, juntamente com outros comerciantes da região, encaminhou uma petição à Câmara de Vereadores de São Bento do Una pedindo a nomeação de um fiscal que organizasse a feira que regularmente ocorria na vila de Canhotinho.

“Em 18 de março do corrente ano, por ter o efetivo se retirado, deixando os negócios do Município em desordem, principalmente quanto às feiras, onde uma malta de atravessadores se apoderaram dos gêneros de primeira necessidade e têm feito os mesmos subirem de preço; e indicando o cidadão Pedro de Barros Palmeira para suprir a falta de fiscal.” (CINTRA, 1984: p. 172)

No dia 27 de abril de 1889, juntamente com os seus familiares, depois de ter acompanhado o sofrimento de sua esposa em um trabalho de parto, partilhou da notícia do falecimento dela e de sua filha, que se chamava Amélia Valença Leite.
Alguns dias depois, segundo informações existentes no jornal Diário de Pernambuco, ano LXV, nº 111, página 2, edição do dia 18 de maio de 1889, foi publicado o óbito de sua esposa, dando como causa de sua morte um “metrite gangrenosa”.

Imagem da assinatura de José Pereira Leite.

No ano seguinte, no dia 19 de outubro, compondo os quadros políticos do Partido Republicano, em acordo com as informações que foram publicadas no jornal Diário de Pernambuco, ano LXVI, página 9, foi nomeado delegado do termo de Canhotinho pelo Governador Dr. Henrique Pereira de Lucena.
No dia 4 de fevereiro de 1893, conforme matéria publicada no Diário de Pernambuco, nº 28, ano LXIX, depois de ser nomeado promotor público pelo Governo do Estado, assumiu essa função no dia 16 de outubro do ano anterior.
Nesse período, em acordo com as atas do Partido Republicano, o seu nome era certo nas reuniões dessa agremiação política, sendo figura influente no diretório de seu Município.
Muitos anos depois, no dia 20 de abril de 1919, conforme anúncio publicado no Diário de Pernambuco, desgostoso com problemas familiares, colocou à venda o seu patrimônio.

“O abaixo-assinado, desgostoso com o seu genro, Manoel Marçal Gonçalves, pretende mudar-se dessa cidade, sem ligar… O presente anúncio é no intuito de dispor três quinhões que tem na propriedade Surucucu, um comprado a João Antônio de Freitas, falecido, e dois dos seus filhos, Abdon e Áureo, dos quais tem procuração para vender suas heranças… no prédio edificado na quadra da rua dessa cidade… um sítio comprado na rua da viola… com cafeeiros e fruteiras, casa de vivenda de tijolo com dois armazéns do lado… e um chalet pequeno…”

Sobre essa negociação, ainda não possuímos informações se foi concretizada e algum tempo depois, em uma data incerta, veio a óbito na cidade de Canhotinho, no Estado de Pernambuco, onde acreditamos que tenha sido sepultado.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BARBALHO, Nelson. Cronologia pernambucana: subsídios para a história do Agreste e do Sertão – (1858-1828). Volume 15. Centro de Estudos de História Municipal, Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco, 1984.
  2. CALADO, Orlando. História de São Bento do Una. Disponível em https://portalsbu.com.br/?sec=coluna_orlando&id=246&/histria-de-so-bento-do-una-pernambuco-brazil-parte-1. Acesso no dia 31 de maio de 2019.
  3. CINTRA, Ivete de Morais. Gado Brabo de Senhores e Senzalas. Centro de Estudos de História Municipal. Recife: Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco, 1988.
  4. CINTRA, I. M.; PAIVA, Adalberto; FIRMINO, João. São Bento do Una: Formação Histórica. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1984.
  5. IBGE. A História de São Bento do Una. Disponível em https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/sao-bento-do-una/historico. Acesso no dia 5 de junho de 2019.
  6. IBGE. A História de Canhotinho. Disponível em https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pe/canhotinho/historico. Acesso no dia 5 de julho de 2019.