José Inácio de Carvalho

jose-inacio-de-carvalhoJosé Inácio de Carvalho nasceu no dia 28 de outubro de 1899 na cidade de Boa Viagem, que está localizada no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Ignácio José de Carvalho e de Maria de São José de Jesus.
O seu avô paterno se chamava Joaquim Pinheiro Milhômem.
Seguindo os costumes da confissão religiosa de seus pais, foi batizado no dia 1º de janeiro de 1900, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, pelo Mons. José Cândido de Queiroz Lima.
Era agropecuarista e foi uma importante liderança política do Município de Boa Viagem na década de 1940.
Foi casado com Maria de Lourdes Sampaio de Carvalho, que era nascida no dia 7 de agosto de 1906, sendo filha de Joaquim Porfírio Sampaio e de Vicência Viana Xavier Sampaio.
Desse consórcio matrimonial foram gerados nove filhos, nove homens e três mulheres, sendo eles: Zuleika Carvalho Martins, José Maria Sampaio de Carvalho, Walter Sampaio de Carvalho, Maria Salete Sampaio de Carvalho, Joaquim Sampaio de Carvalho, Ilka Sampaio de Carvalho, Francisco Sampaio de Carvalho, José Inácio de Carvalho Filho e Luciano Sampaio de Carvalho.
Durante algum tempo residiu com a sua família próximo da Praça Monsenhor José Cândido de Queiroz Lima, s/nº, Centro, na cidade de Boa Viagem.
Antes disso, a construção dessa casa suscitou uma grave questão jurídica com a Prefeitura de Boa Viagem, que no dia 26 de novembro de 1941, na administração do Prefeito José Rangel de Araújo, procurou os meios legais para intervir contra a sua edificação.

Imagem da residência de José Inácio de Carvalho, em 2013.

Imagem da residência de José Inácio de Carvalho, em 2013.

Por conta disso, o juiz da comarca nomeou o Coletor Aluísio Ximenes de Aragão, que era funcionário público do Estado, para servir como perito no estudo do caso:

“O José Inácio, que era líder da oposição à nossa situação, entendeu de construir a sua casa residencial…, quase colada à Matriz. A prefeitura embargou a obra. Ele foi ao juiz e eu fui designado como perito. O laudo que lavrei foi o seguinte: ‘intimado de ordem do Sr. Dr. juiz de Direito da Comarca, para esclarecer o 2º quesito – (esse terreno é de todo imprestável para construção de qualquer edifício ou prédio, nos termos e na conformidade das leis municipais (Código de Posturas?) – na qualidade de perito nomeado na ação executiva movida pela prefeitura dessa cidade contra o cidadão José Inácio de Carvalho, passo a prestar os seguintes esclarecimentos: 1° – O terreno em apreço está cercado por José Inácio de Carvalho, fica dentro da área urbana e mede 61,50 metros de frente por 132 metros de fundo, sendo que na parte da frente (virada para o sul) apenas 17 metros obedece ao alinhamento da rua e se presta para a construção, o restante, 44,50 metros fica um pouco afastado do referido alinhamento por ter sido este, interrompido com a construção da Igreja Matriz desta cidade e, em parte, é banhado por um riacho, dentro do qual no terreno se acham construídos um cacimbão e um banheiro; 2º – Na parte correspondente aos 132 metros (frente para o nascente) obedecendo ao alinhamento da travessa, também se presta para construção, exceto a parte banhada pelo dito riacho, calculadamente de 20 a 30 metros. Julgando assim desempenhada a espinhosa missão de que fui incumbido, dou fido ao presente laudo.” (MOTA, 1995: p. 11)

Depois disso, aos poucos, construiu graves intrigas com várias pessoas, entre elas destacamos: Delfino de Alencar Araújo, Antônio de Queiroz Marinho e Aluísio Ximenes de Aração, de quem fez denúncias quando esse assumiu a interventoria do Município de Boa Viagem.

Imagem do sepultamento de José Inácio de Carvalho.

Imagem do sepultamento de José Inácio de Carvalho, em 28 de dezembro de 1946.

Pouco tempo depois dessas denúncias, na noite do dia 28 de dezembro de 1946, quando recebia uma importante visita política em sua residência, sofreu um grave atentado que ceifou a sua vida:

“O fato ocorreu em uma noite escura, pois nessa época as ruas da cidade de Boa Viagem ainda não possuía iluminação elétrica, só em algumas casas, que possuíam cata-ventos para alimentação das baterias. Essa tragédia se deu quando recepcionavam o Dr. Francisco Carneiro, candidato a deputado estadual, que pretendia reunir os votos de toda Família Vieira existente no Município.” (S.N.T)

Depois disso, de acordo com os registros existentes no livro C-4, fornecido por seu irmão, João Inácio de Carvalho, ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 1.126, página 62v, faleceu às 21 horas, vítima de assassinato, aos 47 anos de idade, no dia 28 de dezembro de 1946.

“Nesse dia, segundo o relato de algumas testemunhas, depois que o seu marido caiu abatido pelo tiro, ela [Maria de Lourdes Sampaio de Carvalho] correu para cima de seu corpo para que um segundo tiro não o atingisse.” (SILVA JÚNIOR, 2010: Maria de Lourdes Sampaio de Carvalho. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/maria-de-lourdes-sampaio-de-carvalho/. Acesso no dia 25 de novembro de 2016)

Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no mausoléu da família que existe no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, Centro, na cidade de Boa Viagem.

Imagem do túmulo da Família Carvalho, em 2013.

Imagem do túmulo da Família Carvalho, em 2013.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 139, de 12 de março de 1970, uma das ruas que se estendem pelos Bairros Alto do Motor e Boaviaginha, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.