Francisco Hermes Rocha

Francisco Hermes Rocha nasceu no dia 30 de agosto de 1956 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Juraci Rocha Bezerra e de Francinete Mesquita Rocha.
Os seus avós paternos se chamavam João Rocha Bezerra e Maria do Carmo Amaro, já os maternos eram Maximiano Amaro Mesquita e Hercília Amaro Mesquita.
Sendo o primogênito entre seis irmãos, passou grande parte de sua infância na Fazenda Jantar, que está localizada na zona rural do Município de Boa Viagem, local onde veio ao mundo com o auxílio de uma parteira:

“Durante muitos anos, os únicos profissionais de saúde existentes em nossa região foram às parteiras, mulheres que normalmente recebiam esse aprendizado de forma hereditária, ou seja, a filha de uma parteira acompanhava a sua mãe no atendimento às mulheres em trabalho de parto auxiliando-a de acordo com as necessidades do momento, possibilitando, assim, após algum tempo de prática, o aprendizado para continuidade do ofício.” (SILVA JÚNIOR, 2016: A História da Saúde no Município de Boa Viagem. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/saude/. Acesso em 25 de outubro de 2016)

Desde cedo, por conta do exemplo de seus pais, recebeu uma forte influência da confissão católica, tendo sido batizado no dia 4 de outubro de 1956 na Igreja Matriz da Paróquia de Nossa Senhora de Boa Viagem pelo Pe. Irineu Limaverde Soares:

“Batizou-se no dia 4 de outubro de 1956, tendo como padrinhos de vela Maximiano Amaro Mesquita e Hercília Amaro Mesquita; e madrinha de apresentar Maria Alvonete Mesquita. Teve a sua Primeira Comunhão quando criança. Crismou-se ainda na infância, tendo como padrinho José Plácido Mesquita.” (BEZERRA DE MELO, 2002: p. 42)

Algum tempo depois, recebendo o cuidado de seus pais, já residindo na cidade, iniciou a sua vida acadêmica em uma escola confessional denominada de Patronato Nossa Senhora de Fátima, um educandário que foi fundado e dirigido pela congregação das irmãs Josefinas, que era localizado na Rua 26 de Junho, nº 317, Centro, onde cursou da 1ª à 4ª série do antigo curso primário.
Em seguida, concluída essa fase, foi matriculado em uma das turmas da Escola de Ensino Médio Dom Terceiro, unidade escolar que está localizada na Rua Alfredo de Sousa Terceiro, nº 680, Centro, que era mantida com recursos do Governo do Estado, onde concluiu, em dezembro de 1975, o curso de Magistério.

“Iniciou os seus estudos no Patronato Nossa Senhora de Fátima, cursando da primeira à quarta série. Continuou-os no Colégio Dom Terceiro, da quinta série ao terceiro Normal; tendo concluído a oitava série em 1972 e o Terceiro Normal em 1975. Começou a participar de desfiles em comemoração ao dia 7 de setembro durante sua vida estudantil.” (BEZERRA DE MELO, 2002: p. 42)

Nos primeiros meses de 1976, logo após a conclusão de seu curso de Magistério, deu início a sua carreira docente conseguindo um contrato para lecionar a uma turma de jovens e adultos no turno noturno da Escola de Ensino Fundamental David Vieira da Silva, que estava localizada na Rua Alfredo de Sousa Terceiro, nº 742, no Bairro Tibiquari.

“Quando começou a trabalhar como professor passou também a ser coordenador dos desfiles em comemoração ao dia 7 de setembro, tocando instrumentos na bateria e também ensinando aos demais participantes. Teve a oportunidade de formar seu próprio time de futebol, cujos jogadores eram os seus alunos.” (BEZERRA DE MELO, 2002: p. 42)

Depois de algum tempo, surgindo lotação, passou a lecionar na Escola de Ensino Fundamental Padre Antônio Correia de Sá, que está localizado na Rua José Rangel de Araújo, nº 26, no Centro da cidade.
Nessa unidade de ensino, juntamente com os seus alunos, conseguiu desenvolver gosto por uma de suas maiores paixões, a banda marcial da escola, que costumava desfilar nas paradas de 7 de setembro que eram promovidas pela Secretaria da Educação do Governo Municipal.
Mais tarde, no dia 1º de julho de 1979, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, tendo como celebrante o reverendo Pe. Paulo de Almeida Medeiros, contraiu núpcias com Antônia Ausenir de Almeida Rocha, que nasceu no dia 8 de novembro de 1954, sendo filha de Patrício Ferreira de Almeida e de Carmelina Amaro de Almeida.
Poucos dias depois, em 14 de julho, segundo informações existentes no livro B-01 auxiliar, pertencente ao Cartório Geraldina, 1º Ofício, tombo nº 6, folha 11, os seus votos foram confirmados perante o Estado.
Desse matrimônio foram geradas três filhas, sendo elas: Nâncy Di Cárlly de Almeida Rocha, Lillyan Di Cárlly de Almeida Rocha e Hérdeny Di Cárlly de Almeida Rocha.

“Aos vinte e três anos de idade, casou-se com Deny, no dia 1o de julho de 1979, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem. Seus padrinhos foram: Wilder e Iranete, Antônio e Alvonete, José Vieira e Francisca Áurea, João Américo e Isabel Maria. A celebração foi feita por Padre Paulo de Almeida Medeiros.” (BEZERRA DE MELO, 2002: p. 43)

Pouco tempo depois de seu casamento, adquiriu e reformou uma casa que estava localizada na Rua Teófilo Amaro, nº 323, Centro, esquina com a Rua José Leal de Oliveira, onde viveu até o fim de seus dias.

Residência de Francisco Hermes Rocha.

Imagem da residência de Francisco Hermes Rocha, em 2011.

Em sua residência mantinha um passatempo, possuía um pequeno laboratório, onde costumava misturar óleos aromáticos com álcool e água buscando desenvolver a fragrância de novos perfumes.
Quando fazia uma descoberta que considerava interessante costumava dar publicidade as novas fragrâncias estendendo o seu braço e fazendo sentir o cheiro aos seus funcionários ou aos clientes de sua empresa. Orgulhoso do sucesso de suas experiências, costumava exclamar: “esse é um legítimo francês, e foi o papaizinho aqui que fez!”
Outras atividades que conseguiam prender a sua atenção eram os campeonatos automobilísticos de Fórmula 1, tendo uma profunda admiração por Ayrton Senna da Silva, e os desfiles carnavalescos das escolas de samba do Rio de Janeiro.
Muito envolvido nas atividades sociais do Município, costumava participar dos carnavais e mesas julgadoras dos eventos promovidos pela Associação Atlética Boa-viagense, sendo inclusive indicado por seus sócios a ser o seu presidente.
Nesses carnavais, promovidos pelo Governo Municipal, costumava participar do Bloco LBA, sigla que significa Lisos, Bêbados & Apaixonados.

Imagem da CICLA, em 1990.

Nesse meio tempo, quando não estava na escola, organizava os negócios comerciais de uma empresa que havia aberto em sociedade com o seu pai, a CICLA,  Comércio, Indústria e Construção Civil LTDA, que era localizada na Rua Antônio Domingues Álvares, nº 110, Centro.

“Após anos de sociedade com o seu pai, consegue realizar outro sonho, que foi comprar a parte da sociedade deste e tornar-se sócio com a sua esposa Deny; alterando inclusive a razão social de sua empresa para Comercial Cárlly. Logo em seguida, ampliou o seu campo de mercado de consumidores, passando a comercializar, além de materiais para construções, também confecções, calçados, perfumaria, e artigos para presentes em geral.” (BEZERRA DE MELO, 2002: p. 43)

Estando sempre presente nas atividades promovidas pela Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem, juntamente com a sua esposa, foi um dos organizadores e um dos primeiros participantes do ECC, o Encontro de Casais com Cristo.
No final da década de 1990, depois de muito esforço e economias, conseguiu liquidar a sociedade com o seu pai e investiu na ampliação de seus negócios comerciais.
Conseguiu aos poucos se tornar em um dos principais empresários do Município de Boa Viagem e tinha um lema que até aos dias de hoje está gravado em um quadro exposto na parede de sua empresa com os seguintes dizeres:

“Eu nunca devo me preocupar com as coisas sobre as quais não posso fazer nada para mudar. Vou viver a cada dia com alegria, não devo pensar no que vai acontecer amanhã e menos ainda sobre o que aconteceu ontem. Devo somente viver o agora fazendo o melhor que eu posso nesse momento.”

Aos poucos foi construindo um amplo ponto comercial e gradativamente realizava a sua transferência para a Rua Agronomando Rangel, nº 439, Centro, recebendo o nome de Comercia Carlly, estendendo o seu ramo comercial para artigos de confecção, calçados e perfumaria.

Comercial Carlly em 2013.

Imagem do Comercial Carlly, em 2013.

Nesse período, nos primeiros meses de 1994, apesar de amplamente divulgada pelo Governo Federal, surgiu na cidade de Boa Viagem a epidemia de uma doença que os seus sintomas eram pouco conhecidos por seus moradores, a Dengue.
O pouco conhecimento sobre essa enfermidade era motivado por ser ela classificada como uma doença existente apenas no litoral ou na região Norte do país, tendo inclusive sido praticamente eliminada do Brasil nos primeiros anos da década de 1980 em virtude da erradicação do mosquito vetor da febre amarela, o Aedes aegypti.
Sem ter o conhecimento clinico do que estava acontecendo em seu corpo, passou alguns dias sofrendo com os sintomas da dengue, procurava medicação mas não tinha noção da gravidade do que estava passando.
Constatado o problema de Dengue Hemorrágico-Encefálica, imediatamente procurou tratamento no Hospital Antônio Prudente, que está localizado na Avenida Aguanambi, nº 1.827, no Bairro de Fátima, na cidade de Fortaleza.
Passou dias hospitalizado na UTI, a Unidade de Tratamento Intensivo, desse hospital lutando pela vida, até que, no dia 21 de junho de 1994, com apenas 38 anos de idade, veio a óbito deixando os seus conterrâneos assustados com a gravidade do problema e sendo o primeiro caso registrado de falecimento por conta de Dengue Hemorrágico-Encefálico no Município de Boa Viagem.
Logo após a sua trágica morte, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado no mausoléu da família existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, nº 295, Centro.

“No mesmo ano, o então Prefeito Antônio Argeu Nunes Vieira, na passagem dos 130 anos de Emancipação Política do Município e na I Feira Agropecuária de Boa Viagem, realizada no Parque de Exposições Agropecuárias Joaquim Vieira Lima, decidiu homenagear ao seu ilustre conterrâneo, Francisco Hermes Rocha, para o nome do Centro Administrativo e Financeiro no referido parque.” (BEZERRA DE MELO, 2002: p. 44)

Imagem do túmulo da família Rocha, em 2017.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BEZERRA DE MELO, Maria José. Ex-Educadores de Boa Viagem. Monografia apresentada ao departamento de pós-graduação e pesquisa da Universidade Estadual Vale do Acaraú, 2002.
  2. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  3. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A História da Saúde no Município de Boa Viagem. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/saude/. Acesso em 25 de outubro de 2016.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito Antônio Argeu Nunes Vieira, embora nunca tenha recebido legislação específica, o setor administrativo do Parque de Exposições Agropecuárias Joaquim Vieira Lima recebeu a sua denominação;
  2. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Várzea do Canto, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura;
  3. Em sua memória, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, através da lei nº 1.255, de 13 de novembro de 2015, uma das ruas do Loteamento de Nossa Senhora de Nazaré, no Bairro Vila Holanda, também na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.