Francisca Barbosa Mota

Francisca Barbosa Mota nasceu no dia 19 de setembro de 1950 no Município de Santa Quitéria, que está localizado na região Noroeste do Estado do Ceará, distante 222 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filha de Vicente Barbosa Cruz e de Quitéria Barbosa Cruz.
Os seus avós paternos se chamavam Manoel Alves da Cruz e Maria Duarte, já os maternos eram Aprígio Barbosa do Nascimento e Maria Cláudia das Mercês.
Nessa época, por conta da inexistência de casas de parto em sua região, veio ao mundo sendo cuidadosamente assistida por uma parteira, que se chamava Raimunda Cassimiro.

“Apelidada carinhosamente de Neném, teve uma infância feliz ao lado de seus pais, vizinhos e amigos. As brincadeiras infantis eram bem diferentes das atuais. Sem energia elétrica, sem televisão, ela brincava com as crianças da vizinhança de fazer casinha e boneca de pano. À noite, se houvesse luar, brincava de roda no terreiro, principalmente com a sua amiga muito querida chamada Teresa Cristina, que carinhosamente lhe chamava de ‘Tatá’.” (BEZERRA DE MELO, 2002: 37)

Deu início aos seus estudos quando foi matriculada por seus pais em uma escola particular, que funcionava de forma improvisada na casa da Professora Maria Lobo, onde recebeu as noções de sua alfabetização.
Ao findar essa etapa, nos primeiros meses de 1958, passou a compor uma das turmas do Grupo Escolar Júlia Catunda, local onde concluiu o ensino primário nos últimos meses de 1962.
Nos primeiros meses do ano seguinte, que consideramos uma das etapas mais difíceis de sua adolescência, foi transferida para o Patronato Sousa Carvalho, que funcionava na cidade de Ipu, permanecendo como aluna interna dessa instituição até os últimos meses de 1966, quando concluiu o ginásio.
Nessa época, diante do fato de seus pais terem passado a residir na vila de Madalena, que nesse período figurava dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim, desejando seguir na carreira do magistério, passou um pequeno período aguardando a oportunidade para ingressar no curso normal, sendo encaminhada juntamente com as suas irmãs, Maria Helena Barbosa Cruz e Maria Helenice Barbosa Cruz, para o Município de Maranguape.

Imagem da Profª Francisca Barbosa Mota em sua adolescência.

Na cidade de Maranguape, passou a residir com um casal de amigos de seus pais, dando prosseguimento aos seus estudos na Escola Normal Anchieta, que nessa época era dirigida pelo Pe. Raimundo Pinto de Albuquerque, com quem construiu fortes laços de amizade.

“Lá, foi morar com um casal de amigos da família: José Barbosa e Ermênia, com quem passou dois anos. No último ano do Curso Normal morou na residência do casal Miguel Câmara e Guiomar.” (BEZERRA DE MELO, 2002: 38)

Nos últimos meses de 1969, depois da conclusão de seu curso, retornou para o seu convívio familiar na vila de Madalena, imediatamente recebendo um convite da Prefeitura de Quixeramobim para lecionar no ano seguinte em uma turma de educação infantil na localidade de Macaoca.

“O atual Distrito de Macaoca, no Município de Madalena, chamou-se antigamente de São José do Castro, por haver pertencente ao Capitão-mor Antônio José de Castro e Silva… Pelo decreto-lei estadual nº 1.114, de 30 de dezembro de 1943, diversas cidades e distritos tiveram os seus nomes de origem mudados para denominações de origem indígena, caso de São José de Castro, que passou a se chamar de Macaoca, que supostamente quer dizer oca fortificada.” (VIANNA, 2016: p. 41)

Na localidade de Macaoca, onde era muito bem recebida, costumava passar a semana na residência do casal Elizeu Baeta e Teresinha, retornando aos finais de semana para casa de seus pais.

Imagem de sua formatura, em 1969.

No período das férias, sempre que existia uma ocasião especial, costumava visitar o Município de Boa Viagem, oportunidade em que conheceu o seu pretendente, Júlio de Oliveira Mota, que nasceu no dia 1º de julho de, sendo filho de Francisco de Oliveira Mota e de Maria dos Anjos de Sousa.

“Neném era uma jovem alegre, extrovertida, gostava muito de se divertir como ir ao matinal, vesperal e tertúlia na quadra coberta do Patronato Santa Terezinha, na cidade de Madalena, como também aos bailes de carnaval na cidade vizinha, Boa Viagem.” (BEZERRA DE MELO, 2002: 38)

Algum tempo depois de namoro, no dia 9 de março de 1972, segundo informações existentes no Cartório Geraldina, 1º Ofício, contraiu matrimônio em uma cerimônia civil que foi realizada pelo Dr. Wilton Machado Carneiro.
Mais tarde, no dia 16 de março, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, finalmente ocorreu a cerimônia religiosa, que foi celebrada pelo Pe. Paulo Ângelo de Almeida Medeiros.
Desse matrimônio foram gerados quatro filhos, duas mulheres e dois homens, sendo eles: Júlia Maria Barbosa Mota Onofre, Francisca Juliana Mota Fragoso, Julieta Barbosa Mota e Júlio Romeu Barbosa Mota.
Estabelecendo a sua residência na cidade de Boa Viagem, foi contratada pelo Governo do Estado para lecionar na Escola de Ensino Fundamental Padre Antônio Correia de Sá.

“O pai da Neném, muito amigo do Deputado José Vieira Filho e muito orgulhoso de sua filha, disse para o seu amigo que ela tinha terminado o magistério e queria ensinar. Como naquela época não existia concurso público para professores, os deputados eram quem davam os contratos. Assim foi que ele deu um contrato do Estado para ela lecionar no Grupo Escolar Padre Antônio Correia de Sá.” (BEZERRA DE MELO, 2002: 39)

Nos primeiros meses de 1976, passou uma curta temporada de um ano e seis meses residindo na cidade de Fortaleza, retornando para cidade de Boa Viagem no ano seguinte, época em que foi novamente contratada para os quadros funcionais do Governo do Estado através de um contrato conseguido pelo Deputado José Vieira Filho.
Nessa época, passou a servir na função de auxiliar de escritório do Projeto Sertanejo, um programa especial do Governo Federal que servia para prestar apoio ao desenvolvimento da região do semiárido do Nordeste.
Nos últimos meses de 1981, resolveu pedir demissão de sua função para acompanhar o seu esposo, que por questões profissionais estava de mudança para o Município de Ribeira do Pombal, no Estado da Bahia.
Distante de sua família, em um exame de rotina, foi surpreendida pelo resultado de sua mamografia, que apontou pequenos nódulos.

“Deste modo, ela veio para Boa Viagem, para casa de seus pais. O seu pai, querendo o melhor para a sua filha, levou-a ao médico, Dr. José Alves, amigo da família, que recomendou que fossem retirados os nódulos, realizando, ele mesmo, a cirurgia no Hospital Regional de Quixeramobim.” (BEZERRA DE MELO, 2002: 39)

Pouco tempo depois da sua cirurgia, quando já estava no Estado da Bahia, ao receber o resultado de sua biópsia, o que mais temia se tornou em uma dura realidade, a sua mama direita estava comprometida pelo câncer.
Partindo imediatamente para cidade de Fortaleza, local onde receberia melhor atenção médica e familiar, passou por um procedimento cirúrgico de mastectomia no dia 19 de agosto de 1982, regressando depois disso para o Estado da Bahia, onde não recebeu um tratamento quimioterápico adequado.
Alguns meses depois, regressando para cidade de Boa Viagem, faleceu com apenas 33 anos de idade no dia 24 de dezembro de 1983.
Logo após o seu falecimento, depois das despedidas fúnebres que são de costume, o seu corpo foi sepultado por seus familiares no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, n° 295, no Centro da cidade de Boa Viagem.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BEZERRA DE MELO, Maria José. Ex-Educadores de Boa Viagem. Monografia apresentada ao departamento de pós-graduação e pesquisa da Universidade Estadual Vale do Acaraú, 2002.
  2. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  3. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão. A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Fortaleza: PREMIUS, 2015.
  4. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Padre Paulo, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.

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