Olho d’Água do Bezerril

AS INFORMAÇÕES BÁSICAS:

O Olho d’Água do Bezerril é uma vila existente na zona rural do Município de Boa Viagem, sendo a sede do Distrito de Olho d’Água do Bezerril, distante pouco mais de 52 quilômetros do Centro da cidade de Boa Viagem, no Estado do Ceará.

Imagem da placa de identificação da vila, em 2020.

Dentro da divisão politico-geográfica, em relação ao Marco Zero, essa vila está localizada na região oeste do Município de Boa Viagem.

A ORIGEM DE SEU TOPÔNIMO:

Designação toponímica classificada como simples, a palavra Boqueirão é um termo muito comum, servindo para designar um acidente geográfico onde geralmente existe uma cerca, por onde passa um riacho, trazendo no Dicionário Aurélio a seguinte definição:

“Boqueirão é uma abertura numa encosta marítima, rio ou canal. É uma abertura tipo garganta cavada pelo rio entre duas serras, um vale profundo cavado por um rio, que é considerado como um local feito pela natureza e propício para uma barragem.”

O topônimo desse Distrito está historicamente relacionado a existência de uma cerca existente entre as Serras da Lagoa e da Tapera, sobre esse assunto o livro “Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender” tem as seguintes informações:

AS SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:

Em 1839, depois de um bárbaro crime cometido nos Inhamuns, uma família vinda daquela região se estabeleceu nesse local, onde fincou suas raízes e seus descendentes permanecem até o presente ainda mantendo relações de parentesco com pessoas do Ibuaçu, Cachoeira dos SilvestresConceição e outras localidades.

“O Capitão José Custódio Bezerril, mandante e arquiteto do crime horroroso, em vez de ir para o Ico, que era a sede do desenvolvimento no interior cearense e lugar com polícia e juiz, veio juntamente com alguns pagens (agregados) parentes, para o Município de Boa Viagem, que na época era chamado de Cavalo Morto, escondendo-se no lugar que passaria a ser chamado de Olho d’Água do Bezerril, então ermo e difícil. O capitão veio acompanhado de um parente e filhos deste, chamado Silvestre Martins Chaves, que era casado com Maria, filha de Manoel Raulino. O casal teve 11 filhos… Note-se que o Capitão José Custódio Bezerril não assinava com Feitosa, mas era Feitosa, também os Martins Chaves, que o acompanhavam não assinavam, mas eram Feitosas… Hoje, vê-se que a estratégia foi parecida com a de Lampião. Os seus agregados não ficaram juntos em um só lugar, mas em pontos estratégicos de proteção ao Olho d’Água, onde se fixou o Capitão José Bezerril: Silvestre Martins Chaves ficou ao poente, ao pé da Serra do Jacampari, onde havia acesso para o Crateús e deu nome ao lugar Cachoeira dos Silvestres; outro olheiro deve ter ficado no lugar chamado Conceição, onde havia acesso ao lugar Cavalo Morto (Boa Viagem). Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Cococi, era a devoção dos Feitosas, desde o primeiro Feitosa, Francisco Alves Feitosa, construtor da capela do Cococi; era um apelo patrocínio da Santa Mãe de Deus; outro olheiro ficou no lugar Socorro, hoje Ibuaçu, passagem para Várzea Queimada, hoje Madalena, com acesso para Canindé e Quixeramobim. Em Ibuaçu também prevaleceram os Martins. Ao sul, o capitão estava protegido pela Serra da Guia, que já tomou o nome porque servia de guia aos constantes emissários secretos do capitão aos Inhamuns, para, na volta, acertarem com o Olho d’Água.” (FEITOSA, 2004: p. 4-5)

Nos últimos anos do século XIX, desejando estabelecer fazendas para criação de gado para corte, alguns sertanejos fixaram residência nessa região, onde existiam centenas de hectares de terras que eram classificadas como devolutas.

Imagem aérea da vila, em 2018.

Dentro de pouco tempo, para garantir suas posses, esses moradores promoveram algumas melhorias, dentre elas o cercamento de suas propriedades, sendo que uma delas era cortada pelo Rio Conceição e um de seus afluentes, o Rio da Cachoeira, que recebeu uma cerca, denominada pelos sertanejos de “Boqueirão”, se tornado uma referência para os moradores dessa região.

“Em meados do século XIX, estabeleceram-se na faixa das terras compreendidas entre o Rodeador e Lagoa do Senador, os irmãos João e Luís da Cruz Nascimento. Em 1877, ano em que aquela terra foi assolada por uma terrível seca, Luís André, como era conhecido, migrou para as bandas do Amazonas, deixando a então Fazenda Bom Jardim sob os cuidados do seu irmão, e nunca mais voltou.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 24)

Alguns anos depois, nessa localidade, aos poucos, por conta do número de habitantes na região e a distância dos principais centros urbanos, algumas pessoas resolveram investir em pequenos estabelecimentos comerciais, indo de mercearias, que eram denominadas na região de “bodegas”, bares, farmácias e até mesmo uma padaria, que fornecia viveres para os trabalhadores envolvidos na construção do Açude Raimundo Rodrigues Cavalcante e outros serviços.
Essa localidade ainda possui uma qualidade distinta das demais, pois foi o berço do estabelecimento dos primeiros protestantes a chegarem ao Município de Boa Viagem no fim da década de 1920.

“Antes disso, enquanto residia na vila de Boqueirão, o Diácono João Rodrigues da Silva, que além de agricultor era comerciante, possuía uma pequena padaria e tinha um potente serviço de som sobre o telhado de sua casa, que diariamente, servia para o evangelismo da pequena vila. Todas as tardes, costumava pregar o Evangelho e deleitar a comunidade ao som de Feliciano Amaral, Luiz de Carvalho, Edgar Martins, Josué Barbosa Lira, Victorino Silva, entre outros expoentes da música sacra cristã.” (SILVA JÚNIOR, 2015: p. 218)

Sobre esses protestantes, na década de 1950, no interesse de que as pessoas da região tivessem acesso aos textos da Bíblia Sagrada, muitas crianças foram alfabetizadas no primeiro templo da Igreja Evangélica Congregacional de Várzea da Tapera por Odacir da Cunha Lima, uma missionária da UESA, a União Evangélica Sul Americana, formada pelo Instituto Betel Brasileiro, de João Pessoa.
Mais tarde, mesmo com esses esforços, conforme registro existente no Plano de Governo para o Município de Boa Viagem entre os anos de 1963 e 1967, na gestão do Prefeito Dr. Manuel Vieira da Costa, o Nezinho, temos um pequeno relato das condições de oferta de instrução pública nessa região:

“Existe cinco prédios estaduais para escolas isoladas, sem funcionamento, dado precário estado de conservação no qual se encontram… Restauração e aparelhamento do Grupo Escolar Padre Antônio Correia de Sá, situado na sede do Município, bem como de mais cinco escolas isoladas, situadas nos povoados de Belmonte, Ipiranga, Santo Antônio, Guia e Boa Ventura, todas de propriedade do Estado, e que se encontram sem funcionar.” (COSTA, 1962: p. 4 – 5)

Como foi mencionado no referido plano de governo, mais tarde, já na década de 1970, sabendo que a disponibilidade de um local adequado e que ofertasse instrução pública na região era algo muito difícil, o Pe. Vital Elias Filho, pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, da cidade de Madalena, separou uma das salas de sua casa na localidade para o funcionamento de algumas turmas de estudantes.
Esse comprometido religioso, dentro de sua ação pastoral, conseguiu desenvolver um destacado papel de agente em favor da expansão dos meios de educação dentro das comunidades em que cuidava.

“Em 3 de março de 1970, Pe. Vital Elias Filho conseguiu junto ao Dr. Lúcio Melo o Colégio da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade. O Colégio da CNEC funcionou inicialmente no prédio do Patronato, pertencente à Paróquia, com a denominação de Raimundo Falcão.” (SIMÃO, 2010: p. 123)

Antes disso, no fim da década de 1940, diante da dimensão geográfica do Município de Boa Viagem, ocorreu a divisão territorial das paróquias existentes na região, fazendo com que essa localidade fosse transferida da Paróquia de Nossa Senhora da Boa Viagem para os cuidados da paróquia mais próxima, sendo essa a de Madalena.
Nos primeiros meses de 1983, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, essa localidade foi beneficiada com a instalação de um posto de rádio amador, sendo integrado SCBV, o Sistema de Comunicação de Boa Viagem.
Esse equipamento tinha por objetivo facilitar a comunicação de seus moradores com o posto existente na cidade nos casos de emergência médica ou incursão policial, equipamento que foi desativado depois da instalação das primeiras linhas de telefonia fixa, algo que somente ocorreu na década de 1990.
Antes disso, nos primeiros meses de 1985, diante dessa grande necessidade, os moradores dessa localidade foram contemplados com a construção de sua primeira unidade escolar, um marco para região, e logo depois com um posto de saúde.

Nessa mesma época, depois de várias campanhas de arrecadação, o povoado se mobilizou para construção de sua capela, que nos primeiros anos da década de 1990, reunindo às qualidades necessárias, os limites dos territórios das paróquias existentes na região foram reformulados para criação da Paróquia de Nossa Senhora da Guia, a quem o patrimônio dessa capela passou a pertencer.

“Alguns anos depois, no dia 16 de janeiro de 1994, finalmente a freguesia foi transformada em paróquia com a posse de seu primeiro pároco, o Pe. Raimundo Nonato de Oliveira.” (SILVA JÚNIOR, 2012: Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/paroquia-de-nossa-senhora-da-guia/. Acesso do dia 12 de setembro de 2019)

Nos primeiros meses de 2000, diante do fomento e do interesse do Governo do Estado pelo desenvolvimento da educação, os moradores desse povoado foram contemplados com uma extensão educacional do Ensino Médio.
Mais tarde, no dia 11 de outubro de 2001, através da lei municipal nº 774, na gestão do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, essa região foi designada como um dos novos Distritos do Município, sendo esse povoado elevado à condição de vila.

“Nos últimos anos Boqueirão foi agraciado com posto telefônico, praça pública e um posto de saúde que conta com uma equipe do Programa Saúde da Família – PSF, além de uma viatura para o transporte de enfermos. Por muitos anos, Boqueirão pertenceu ao Distrito de Ibuaçu, más foi elevado à categoria de Distrito, o que poderá trazer benefícios futuros para sua população… Hoje o Boqueirão é um dos mais povoados Distritos de nosso Município… e conta com um expressivo potencial artístico e cultural.” (FRANCO & CAVALCANTE VIEIRA, 2007: p. 25)

Pouco tempo depois, no primeiro semestre de 2005, novamente na gestão do Prefeito José Vieira Filho, por meio da lei nº 913, de 27 de junho, seguindo o plano de redimensionamento geográfico  das escolas do Município, essa vila passou a ser a sede do Polo Quatro.
Nos últimos meses de 2015, com a expansão da rede de telefonia móvel, essa vila foi contemplada com uma torre, algo que melhorou a sua comunicação por telefone e sinal de internet.
Nessa mesma época, novamente no período de governo do Prefeito Dr. Fernando Antônio Vieira Assef, essa vila começou a tomar ares de progresso ao receber pavimento em pedra tosca em suas ruas e outros importantes benefícios públicos.

AS LOCALIDADES DE SUA VIZINHANÇA:

O principal acesso para Vila do Boqueirão, saindo da cidade de Boa Viagem, é feito por via terrestre através da Rodovia Federal Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, a BR-020, seguindo pela Rodovia Estadual CE-265, depois por rodovias municipais, que lamentavelmente não possuem nomenclatura que facilitem a sua identificação.

Imagem do mapa da região.

A vila do Olho d’Água do Bezerril tem em sua vizinhança as seguintes localidades: Gurupi, São Clemente.

OS EQUIPAMENTOS EXISTENTES NA VILA:

Na vila do Olho d’Água do Bezerril, que no presente possui pouco mais de ?? ruas, os seus habitantes possuem alguns equipamentos para facilitar as suas vidas, bem como a dos moradores de sua vizinhança, sendo eles:

  1. Capela de São Francisco das Chagas;
  2. Escola de Ensino Fundamental Manoel Saraiva de Sousa;
  3. Praça Francisco Martins Chaves;
  4. O Cemitério de São Francisco das Chagas;
  5. O Posto da Saúde Antônio Sebastião de Paiva;
  6. O Posto dos Correios.

BIBLIOGRAFIA:

  1. BRAGA, Renato. Dicionário Histórico e Geográfico do Estado do Ceará. v. 1º. Fortaleza: Imprensa Universitária do Ceará, 1964.
  2. FEITOSA, Neri. História do Povoado de Olho d’Água do Bezerril. Canindé: Instituto Memorial de Canindé, 2004.
  3. FRANCO, G. A.; CAVALCANTE VIEIRA, M. D. Boa Viagem, Conhecer, Amar e Defender. Fortaleza: LCR, 2007.
  4. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  5. PELOSI FALCÃO, Marlio Fábio. Dicionário Toponímico, Histórico e Geográfico do Nordeste. Fortaleza: Artlaser, 2005.
  6. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. História do Distrito de Boqueirão. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/historia-do-distrito-de-boqueirao/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  7. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. O Distrito de Boqueirão. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/boqueirao/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  8. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Escola de Ensino Fundamental Padre Vital Elias Filho. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-de-ensino-fundamental-pe-vital-elias-filho/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  9. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Capela de Santa Luzia. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/capela-de-santa-luzia-boqueirao/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  10. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Escola de Ensino Fundamental Belarmino André do Nascimento. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/escola-de-ensino-fundamental-belarmino-andre-do-nascimento/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  11. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A Praça Enoque Antero da Silva. Disponível http://www.historiadeboaviagem.com.br/praca-enoque-antero-da-silva-vila-de-boqueirao/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  12. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Praça José André do Nascimento. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/praca-jose-andre-do-nascimento-vila-de-boqueirao/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  13. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Praça José André do Nascimento. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/praca-jose-andre-do-nascimento-vila-de-boqueirao/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  14. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Unidade Básica da Saúde Luiz Gonzaga Rodrigues. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/unidade-basica-da-saude-luiz-gonzaga-rodrigues/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  15. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Posto de Saúde Raimundo Rodrigues Cavalcante. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/unidade-basica-da-saude-raimundo-rodrigues-cavalcante-vila-de-boqueirao/. Acesso no dia 10 de setembro de 2019.
  16. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. Andarilhos do Sertão. A Chegada e a Instalação do Protestantismo em Boa Viagem. Fortaleza: PREMIUS, 2015.
  17. SIMÃO, Marum. Madalena: Reconstruindo a história. Ed. Paradidático. Fortaleza: RDS, 2010.
  18. VIEIRA FILHO, José. Minha História, Contada por Mim. Fortaleza: LCR, 2008.