OS CEMITÉRIOS DO MUNICÍPIO DE BOA VIAGEM

AS INFORMAÇÕES GERAIS:

A morte é um fenômeno natural, algo que causa grande aflição a todos os seres humanos, pensando nisso os moradores da cidade de Boa Viagem, que antigamente era conhecida pelo topônimo de “Cavalo Morto”, decidiram construir um pequeno cemitério para não ter que se deslocar para locais mais distantes, isso quando não enterravam os seus mortos dentro de suas propriedades.
Habitualmente os velhos cemitérios, que também eram chamados de campos santos, eram construídos nos arredores das capelas:

“Até o início do século XIX, as pessoas eram normalmente sepultadas dentro das igrejas ou em terrenos próximos de propriedade das congregações religiosas. Os sepultamentos eram uma importante fonte de recursos para as igrejas.” (S.N.T)

O primeiro cemitério do Município de Boa Viagem, a qual temos notícia, está abaixo do piso da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, pois a capela que deu origem a essa igreja passou por diversas ampliações e devido a construção do Cemitério Parque da Saudade estendeu as suas paredes por cima da velha necrópole.
Segundo o relatos de alguns pedreiros que trabalharam nas fundações dessa igreja, era comum encontrar ossos e cabelos humanos nas suas fundações, o que reforça ainda mais a nossa hipótese.
Lembramos ainda que, nessa época, devido ao acordo de padroado, o governo brasileiro era quem arcava com as despesas da Igreja Católica Apostólica Romana em nosso país, inclusive os salários de seus religiosos, e todos os cemitérios eram administrados pelos padres, que eram os responsáveis pelos registros de compra e venda de terras, de nascimentos e obituários de suas paróquias.
Registramos ainda que, mesmo depois da construção do Cemitério Parque da Saudade, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem continuou a receber sepultamentos dentro da nave de seu templo, principalmente dos religiosos que possuem algum tipo de ligação com o Município, conforme a relação a seguir:

  1. Mons. José Cândido de Queiroz Lima;
  2. Pe. Paulo de Almeida Medeiros;
  3. Pe. Antônio Océlio Teixeira de Almeida.

No passado, a satisfação de estar sepultado dentro de uma igreja, ou próximo dela, está diretamente ligado ao desejo de estar mais perto de Deus, e o motivo para essa difícil mudança de costume está ligado aos hábitos de higiene, conforme nos relata o texto publicado pela jornalista Rosana Romão, no caderno Cotidiano, do periódico Tribuna do Ceará, edição do dia 2 de novembro de 2014:

“De acordo com as pesquisas do Prof. Airton de Farias, em seu livro sobre a História do Ceará, a sobrevalorização do saber médico desprezava as tradições e culturas da massa. Um dos exemplos mais evidentes desse ‘poder médico’ foi o combate ao hábito de enterrarem-se os mortos nas igrejas – como ocorria no Ceará até meados do século XIX – e a defesa da construção de cemitérios. Para o saber médico-científico, a decomposição dos cadáveres tornava os templos em focos de doenças.”

OS CEMITÉRIOS URBANOS:

  1. Cemitério Parque da Esperança – Nossa Srª. de Fátima / Boa Viagem;
  2. Cemitério Parque da Saudade – Centro / Boa Viagem;
  3. O Cemitério de Jacampari – Vila de Jacampari (1893);
  4. Cemitério de Nossa Senhora da Guia – Vila de Guia;
  5. Cemitério de Santa Ana – Vila de Várzea da Ipoeira;
  6. Cemitério de São Francisco da Chagas – Vila de Olho d’Água do Bezerril;
  7. Cemitério de São José – Vila de Águas Belas;
  8. Cemitério dos Esquecidos – Vila de Guia.

OS CEMITÉRIOS RURAIS:

  1. Cemitério da Bela Aliança – Bela Aliança;
  2. O Cemitério da Cruz da Cigana – Sabonete;
  3. Cemitério das Lembranças – Lembranças;
  4. Cemitério de Nossa Senhora das Graças – Inharé;
  5. Cemitério do Cajueiro – Camará dos Timóteos;
  6. Cemitério dos Inocentes da Barra dos Moreiras – Barra dos Moreiras;
  7. Cemitério dos Inocentes da Fazenda Nova – Fazenda Nova;
  8. Cemitério dos Inocentes da Várzea da Arara – Várzea da Arara;
  9. Cemitério dos Inocentes das Almas – Almas.