Casimiro da Silva Nogueira

Casimiro da Silva Nogueira nasceu no Município de Quixeramobim, que está localizado no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza.
Na época do seu nascimento a cidade de Boa Viagem, que também era conhecida pelo topônimo de “Cavalo Morto”, era apenas um pequeno povoado existente dentro dos limites geográficos do Município de Quixeramobim:

“Distrito criado com a denominação de Boa Viagem, ex-povoado de Cavalo Morto, pela lei provincial nº 1.025, de 18 de novembro de 1862. Elevado à categoria de vila com a denominação de Boa Viagem, pela lei provincial nº 1.128, de 21 de novembro de 1864, desmembrado de Quixeramobim.” (IBGE, 2010: Histórico de Boa Viagem. Disponível em http://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?lang=&codmun=230240&search=ceara|boa-viagem|infograficos:-historico. Acesso no dia 13 de julho de 2017)

Era agropecuarista e construiu uma grande casa em Santo Antônio dos Dodôs.
Era casado com Maria da Glória de Jesus, com quem gerou alguns filhos, dentre eles destacamos: Pedro da Silva Nogueira e José Casimiro da Silva Nogueira.
Segundo ofício da Câmara Municipal de Vereadores conseguiu ser eleito para uma de suas cadeiras, tomando posse de sua função no dia 7 de janeiro de 1883, sendo escolhido pelos seus pares como presidente da mesa diretora.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem, fim da década de 1940.

Era abolicionista e pouco tempo depois, segundo registros, foi um dos fundadores da Sociedade Libertadora de Boa Viagem, que foi uma entidade filantrópica que congregava aqueles que queriam por fim à escravidão, conforme registro a seguir:

“Era impossível que o Município de Boa Viagem continuasse por mais tempo estacionário, sem receber um impulso do magno e generoso movimento libertador que se desenvolve, estendendo-se por todos os ângulos da Província. Omnia tempus habent. Era pois chegada também a vez de Boa Viagem tomar um lugar, embora dos últimos, no grande festim da liberdade. No dia 1º de Julho, reunidos no salão da municipalidade, diversos cavalheiros dos mais prestantes da localidade, a convite do Revmo. Vigário da freguesia, e presente grande número de senhoras, instalou-se uma sociedade denominada Libertadora de Boa Viagem, cujo fim será promover, por todos os meios legítimos, a libertação do Município… O presidente declarou instalada a sociedade, apresentando 17 cartas de liberdade, todas oferecidas espontaneamente, dos quais 7 foram oferecidas pelo Capitão Antônio Sabino de Araújo, sendo declarados libertos os seus últimos escravos: Maria, Maria, Magdalena, Anna e Francisca; 2 por parte de sua digna mãe, D. Maria Sabina da Conceição, concedendo liberdade aos seus dois últimos escravos: João e Luíza; e 1 por parte de sua irmã, D. Maria de Jesus Araújo, a sua única escrava, Raymunda; 3 oferecidos pelo prestante cidadão Joaquim Cavalcante Bezerra, libertando as suas escravas: Benedicta, Galdina e Agueda; 2 pelo Capitão Vicente Alves da Costa, concedendo liberdade aos seus dois escravos: Caetano e Nicácio; 1 pelo cidadão José Rabêlo e Silva, libertando a sua escrava Maria; 1 pela digna professora pública dessa vila, D. Joaquina Beleza de Macêdo Nogueira, libertando a sua única escrava,  Joana; 1 oferecido pelo cidadão João Lobo dos Santos, dando liberdade a sua escrava Alexandrina e finalmente 1 oferecido pelo cidadão Manoel Mendes Machado. São poucos os escravos que restam no Município, talvez não excedam a 40. Mas a sociedade não conta com bastantes recursos para acelerar, como desejara, a sua completa extinção. Entretanto, convencidos como já devem estar os senhores de que improficua será a resistência que por ventura poderão opor, serão levados a libertar voluntariamente os poucos que ainda restam. E prazam a Deus que se realizem as aspirações do digno presidente da Libertadora de Boa Viagem, isto é, que brevemente possamos dizer por nossa vez a Província: não há mais senhores e nem escravos no Município de Boa Viagem.”

Essa agremiação antiescravagista, que foi fundada no dia 1º de julho de 1883, recebeu publicidade de seus atos através de uma nota publicada no periódico O Libertador, ano 3, nº 162, de 28 de julho de 1883, e tinha o seu nome na função de orador em sua diretoria.
Mais tarde, no dia 17 de janeiro de 1885, através de um ofício que foi destinado ao palácio do Governo da Província, comunicou que estava mudando com a sua família para à Província do Piauí e firmou um acórdão entre os vereadores da Câmara Municipal de Boa Viagem em que solicita uma nova eleição para o preenchimento de sua vaga.
Antes disso, juntamente com os outros vereadores, reorganizou os trabalhos ordinários da Câmara Municipal, que foram interrompidos pelos efeitos da “Seca Grande; Reativou a cobrança da décima urbana e de outros impostos; Realizou a organização e o leilão dos impostos camarários; Aprovou o Código de Posturas, que regulamentava o comportamento e a ordem que deveria existir na vila; Recebeu o equipamento médico e o soro antiofídico encaminhado pelo Farmacêutico Rodolpfho Marcos Theópfhilo; Implantou no Município o novo sistema de pesos e medidas determinado pelo Governo Provincial e forneceu informações da retomada da produção agrícola da região.

BIBLIOGRAFIA:

  1. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.

3 ideias sobre “Casimiro da Silva Nogueira

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