Antônio Jayme de Alencar Araripe

Antônio Jayme de Alencar Araripe nasceu em 10 de junho de 1840 no Município de Quixeramobim, no Sertão Central do Estado do Ceará, distante 203 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de Pedro Jayme de Alencar Araripe e de Isabel Valdinar de Alencar Araripe.
Os seus avós paternos se chamavam Tristão Gonçalves Pereira de Alencar Araripe e Maria Isabel da Conceição, já os maternos eram José Joaquim da Silva Lobo e Simoa Joaquim da Silva Lobo.
A sua infância e os primeiros anos de sua juventude foram vívidos na cidade de Quixeramobim, local onde o seu pai encontrou refúgio depois de se envolver na Confederação do Equador.

“Pedro Jaime de Alencar Araripe nasceu no Crato, no dia 17 de outubro de 1809 e faleceu em Quixeramobim, no dia 3 de julho de 1862, vítima do cólera morbus. Era filho de Tristão Gonçalves Pereira de Alencar Araripe e Isabel Maria da Conceição, mulher com quem Tristão se relacionou antes de casar-se com Ana Porcina Ferreira de Lima. Em 1824 com apenas 15 anos de idade, lutou ao lado do pai na Confederação do Equador, saindo derrotados dessa batalha, onde seu pai foi moto, teve que fugir para Quixeramobim a fim de proteger-se das perseguições.” (CORDEIRO, 2017: Disponível em http://coisadecearense.com.br/pedro-jaime-de-alencar-araripe/#comment-12598. Acesso no dia 17 de março de 2019)

Nessa cidade, quando chegou a sua época de receber instrução elementar, supomos que foi instruído pelo seu pai, que desenvolveu diversas atividades, dentre elas a de professor.

“Lá, já acalmados os ânimos, Pedro Jaime pode exercer vários cargos na vila, em 1829 foi nomeado o primeiro professor da primeira Escola Pública de Quixeramobim, hoje, Escola de Ensino Fundamental e Médio Dr. Assis Bezerra, exerceu esse cargo do dia 17/07/1829 até 31/12/1835, quando se demitiu. Em 1837, foi escolhido na lista tríplice, para Juiz de paz e no dia 17 de maio do mesmo ano foi nomeado escrivão do troco da moeda de cobre. Em 1840 foi nomeado pela câmara de juiz de direito ‘ad hoc’ para julgar certas causas cíveis em que o Juiz de direito tornou-se suspeito. Em 23 de abril de 1841, foi novamente escolhido na lista tríplice, para exercer interinamente o cargo juiz de direto, que estava vago. Em 1847 foi escolhido como Tenente Coronel da Legião de Quixeramobim, onde chegou a líder do partido liberal.” (CORDEIRO, 2017: Disponível em http://coisadecearense.com.br/pedro-jaime-de-alencar-araripe/#comment-12598. Acesso no dia 17 de março de 2019)

No dia 3 de julho de 1862, juntamente com os seus familiares, foi surpreendido pelo inesperado falecimento de seu pai, que foi vítima de uma epidemia do cólera, algo que certamente desestruturou a sua base familiar.
Nesse mesmo ano, dedicando-se ao magistério, submeteu-se por concurso ao cargo de professor de primeiras letras da cidade de Jardim, de onde foi removido a 8 de agosto de 1865 para cadeira de primeiras letras do sexo masculino da vila de Maria Pereira, atual Mombaça.
Sobre esse assunto, em acordo com as informações existentes na edição nº 9 do periódico A Constituição, publicada no dia 22 de janeiro de 1875, recebeu nomeação para cuidar da instrução pública da classe masculina existente na vila de Boa Viagem, anteriormente conhecida como Cavalo Morto, que acreditamos não ter chegado a assumir.

“Nomeado por ato do dia 19 de maio de 1864 e removido para Maria Pereira a 12 de outubro do mesmo ano.”

Mais tarde, no dia 3 de agosto de 1871, depois de ter recebido uma portaria com a nomeação para assumir o posto de alferes-cirurgião da Secção do Batalhão da Reserva da Guarda Nacional, voltou à cidade de Jardim, sendo removido posteriormente para São Mateus e algum tempo depois novamente para Mombaça.
Engajado-se na política, entre 1888 e 1889, exerceu o mandato de deputado provincial na última legislatura do Império.
Pouco tempo depois, não sabemos por qual motivo, decidiu se estabelecer no Município de Boa Viagem, onde conseguiu se eleger para uma das cadeiras da Câmara Municipal de Vereadores.
No exercício desse mandato, no dia 2 de outubro de 1900, foi indicado pelos seus pares para assumir a intendência do Município, função que era exercida por José do Vale Pedroza, que havia sido exonerado no dia anterior.

Imagem da Casa de Câmara e Cadeia do Município de Boa Viagem, local onde também funcionou uma das primeiras escolas da vila.

Em seu governo o Município de Boa Viagem enfrentou uma grande estiagem, sofrendo inclusive com a fome e uma grave epidemia de varíola, doença que dizimou parte da população, fazendo com que pedisse renúncia de seu cargo no dia 9 de junho de 1901, sendo substituído no dia seguinte por Manuel Henrique de Albuquerque.
De sua vida pessoal, que foi conturbado pelo falecimento de duas esposas, descobrimos que construiu três famílias, sendo o nome da primeira esposa Petronilla Pergentina de Alencar.
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“Casou-se três vezes; no primeiro relacionamento tiveram 4 filhos: Leovigilda (Leó), Antônio, Filomena e Maria. Do segundo casamento, com Ana Josefina de Almeida: Pedro, Isabel (Besinha), Joana, Sinharinha (irmã Antônia), Maria Madalena (Mazinha) e Maria do Carmo (Carmin). Do terceiro: Iracema, Pery, Ceci e Etelvina. Totalizando 11 mulheres e 3 homens. Maria Madalena (Mazinha), (avó do autor deste registro) afirmava que ele era muito caridoso e manipulava remédios naturais e outros que distribuía gratuitamente aos necessitados. A sua nomeação como alferes-cirurgião da Guarda Nacional talvez se relacionasse a esse fato.” (Disponível em https://www.institutodoceara.org.br/revista/Rev-apresentacao/RevPorAno/2009/01_Artigo_Pedro%20Jaime.pdf. Acesso no dia 17 de março de 2019)

Faleceu na cidade de Quixeramobim no dia 22 de outubro de 1903, aos 63 anos de idade.

BIBLIOGRAFIA:

  1. CORDEIRO, Jaqueline Aragão. Pedro Jaime de Alencar Araripe. Disponível em http://coisadecearense.com.br/pedro-jaime-de-alencar-araripe/#comment-12598. Acesso no dia 17 de março de 2019.
  2. GUIMARÃES, Victor Hugo. Deputados Provinciais e Estaduais do Ceará. Fortaleza: Editora Jurídica Ltda, 1947.
  3. MAIA CAVALCANTE, Maria Juraci; et al. História da Educação: República, Escola e Religião. Fortaleza: UFC, 2012.
  4. NASCIMENTO, Cícero Pinto do. Memórias de Minha Terra. Fortaleza: Encaixe, 2002.
  5. OLIVEIRA SILVA, Pedro Alberto de. Pedro Jayme de Alencar Araripe (1809-2009) – Bicentenário de nascimento (História e Genealogia).  Disponível em https://www.institutodoceara.org.br/revista/Rev-apresentacao/RevPorAno/2009/01_Artigo_Pedro%20Jaime.pdf. Acesso no dia 10 de junho de 2020.
  6. SILVA JÚNIOR, Eliel Rafael da. A História da Instrução Pública no Município de Boa Viagem: A sua formação pedagógica e social entre 1864 e 1931. Dissertação apresentada a Flórida Christian University, 2019.

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