Antônio Apolônio Maciel

Antônio-Apolônio-MacielAntônio Apolônio Maciel nasceu no dia 4 de outubro de 1923 no Município de Boa Viagem, que está localizado no Sertão de Canindé, no Estado do Ceará, distante 217 quilômetros da cidade de Fortaleza, sendo filho de José Apolônio da Silva e de Raimunda Batista de Sousa.
Os seus avós paternos se chamavam Apolônio Celestino de Moura e Lídia Maria Gomes, já os maternos eram João Batista de Sousa e Isabel Maria da Conceição.
Na época em que nasceu o Município de Boa Viagem não dispunha de uma casa de parto, fato que obrigou aos seus pais a contar com os valiosos serviços de uma parteira na Fazenda Ponte, onde passou grande parte de sua infância.

“Durante muitos anos, os únicos profissionais de saúde existentes em nossa região foram às parteiras, mulheres que normalmente recebiam esse aprendizado de forma hereditária, ou seja, a filha de uma parteira acompanhava a sua mãe no atendimento às mulheres em trabalho de parto auxiliando-a de acordo com as necessidades do momento, possibilitando, assim, após algum tempo de prática, o aprendizado para continuidade do ofício.” (SILVA JÚNIOR, 2016: A História da Saúde no Município de Boa Viagem. Disponível em http://www.historiadeboaviagem.com.br/saude/. Acesso em 25 de outubro de 2016)

De sua infância pouca coisa nos resta, mas acreditamos que foi uma criança como qualquer outra.
Em sua juventude, por volta dos primeiros anos da década de 1940, todos assistiam perplexos através dos jornais e dos poucos rádios existentes, às notícias da II Guerra Mundial, que parecia aos brasileiros algo muito distante:

“No dia 28 de janeiro de 1942 o Governo Brasileiro atende a resolução nº 15 da Segunda Reunião de Consulta dos Chanceleres das Repúblicas Americanas e rompe relações diplomáticas com os países do Eixo.” (S.N.T)

Depois dessa movimentação diplomática, alguns submarinos alemães passaram a torpedear as embarcações civis brasileiras que navegavam pelo litoral, o que tornava a neutralidade brasileira apenas teórica.
Lentamente o nosso país passou a organizar a sua força expedicionária, que inicialmente foi protelada por um ano até que, em julho de 1944, os soldados brasileiros passaram a ser enviados para à frente de batalha:

“Devido à pressão popular, após meses de torpedeamento de navios mercantes brasileiros, finalmente o Brasil declarou guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista, em agosto de 1942. Sendo na época, um país com uma população majoritariamente analfabeta, vivendo no campo, com uma economia com foco principal voltado para exportação de commodities, uma política internacional tradicionalmente isolacionista com eventuais alinhamentos automáticos contra ‘perturbadores da ordem e do comércio internacionais’, sem uma infraestrutura industrial-médico-educacional que pudesse servir de sustentação material e humana ao esforço de guerra que aquele conflito exigia, o Brasil não apenas se viu impedido de seguir uma linha de ação autônoma no conflito como encontrou dificuldades em assumir mesmo um modesto papel.” (S.N.T.)

Nessa época, depois da declaração formal de guerra, o Ministério da Defesa passou a organizar a estrutura para o desafio da convocação. O Brasil não dispunha de equipamento bélico apropriado para o tipo de guerra que iria enfrentar e os seus militares mais experientes não possuíam táticas de guerra modernas:

“Entre o Brasil declarar guerra e conseguir enviar um contingente para lutar nos campos de batalha na Europa houve um longo intervalo de tempo. Os obstáculos eram muitos. Dentre outras razões, o material bélico de que o país dispunha já era obsoleto na época. Não bastasse isso, os militares brasileiros ainda seguiam uma organização e uma doutrina que remontavam à Primeira Guerra Mundial, nos moldes da escola militar francesa. Ou seja, os militares brasileiros seguiam um modelo criado na França, país que, desde junho de 1940, estava sob ocupação militar da Alemanha nazista. Uma das razões para a França ter sido ocupada pelos nazistas foi o fato de que a maioria dos estrategistas franceses apostava que a Segunda Guerra seria uma guerra de trincheiras, tal como havia sido a Primeira Guerra, subestimando a tática da blitzkrieg, a ‘guerra-relâmpago’ adotada pela Alemanha, que consistia num ataque maciço utilizando armamentos modernos, principalmente tanques de guerra. O modelo militar francês que ainda era adotado no Brasil também pecava por táticas militares fundadas em regras muito rígidas que, em determinadas circunstâncias, podiam ser totalmente inúteis ou inaplicáveis. Por exemplo, o modelo militar francês ditava que um pelotão de fuzileiros deveria sempre assaltar em ataques frontais as resistências inimigas. Tal regra podia ser adequada em terrenos planos, mas totalmente ineficaz num terreno montanhoso. Como se vê, o modelo francês era bastante inapropriado e nada flexível.” (VILELA, 2013: p. 3)

Diante dessas grandes dificuldades o Brasil precisou do auxílio dos militares norte-americanos, que já estavam bastante qualificados para esse tipo de guerra graças aos acordos diplomáticos com os ingleses.
Para selar o acordo os dois presidentes, Roosevelt e Vargas, encontraram-se dentro do destróier norte-americano Jouett, que estava ancorado no Rio Potengi. Nessa ocasião os dois presidentes, em francês, ajustaram a criação da FEB, a Força Expedicionária Brasileira, e o auxílio militar:

“Para se modernizar e estar preparado para a guerra, o Brasil precisou da ajuda dos Estados Unidos. No dia 27 de janeiro, Vargas e Roosevelt encontraram-se em Natal para firmar os termos da cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos. No esforço de modernizar as forças armadas brasileiras, alguns oficiais brasileiros foram mandados aos Estados Unidos para realizar cursos e estágios. Assim, aos poucos, os então obsoletos modelos militares franceses passaram a ser substituídos pelos modernos modelos norte-americanos.” (VILELA, 2013: p. 3)

Logo essa notícia chegou ao Município de Boa Viagem e não tardou muito para que o Exército viesse buscar os seus novos soldados, ocasião em que foi formado um pequeno contingente de 45 recrutas.
Esse pequeno contingente formado em nosso Município foi fruto da exigente comissão de médicos que selecionava os futuros combatentes:

“Outro problema enfrentado pelo Brasil foi a dificuldade para encontrar gente qualificada para serviços essenciais nas Forças Armadas: eletricistas, motoristas, mecânicos de automóveis, radiotelegrafistas, profissionais especializados em conserto de rádios, etc. Havia também um número insuficiente de oficiais da ativa, especialmente capitães e tenentes. A solução encontrada foi convocar reservistas, ex-alunos do CPOR, o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva. A maioria desses reservistas era formada por profissionais liberais (médicos, advogados, engenheiros, professores…) que, de uma hora para outra, se tornaram oficiais combatentes. Os reservistas transformados em oficiais combatentes ajudaram a desenhar um novo perfil para o exército brasileiro. Muitos oficiais graduados, que estavam servindo por mais tempo, tratavam os subordinados de maneira excessivamente ríspida. Esses subordinados costumavam sofrer prisões disciplinares por motivos insignificantes. Os novos oficiais, vindos do CPOR, adotavam uma postura diferente e mais sensata: como sabiam que a confiança mútua seria essencial em situações de combate, preferiam tratar os subordinados de maneira mais amigável e respeitosa. Tal tratamento era feito sem sacrifício da disciplina e da hierarquia. Outro obstáculo foi recrutar homens fisicamente aptos para prestar o serviço militar. Por razões médicas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, um grande número de brasileiros foi dispensado. Entre os motivos da dispensa médica, os mais frequentes eram problemas de dentição, subnutrição, doenças sexualmente transmissíveis, verminoses e outras infecções. Parecia quase impossível que o Brasil conseguisse formar um contingente para lutar na guerra. Os mais céticos diziam, em tom de deboche, que era mais fácil ‘ensinar uma cobra a fumar’ do que o Brasil conseguir formar uma força expedicionária para enfrentar os alemães.” (VILELA, 2013: p. 3)

Por fim, no dia 1º de novembro de 1944, pouco tempo depois de completar 21 anos de idade, foi selecionado entre os recrutas da 10ª Região Militar.
Conta-se que, dias antes, na hora da partida, muitas famílias choravam na Praça Dr. João Tomé de Sabóia e Silva, atual Praça Antônio de Queiroz Marinho, na despedida dos futuros pracinhas de Boa Viagem que seguiriam para o treinamento e posteriormente para o conflito.
Da cidade de Boa Viagem esses recrutas foram conduzidos em um caminhão para a cidade de Quixeramobim, onde de trem seguiram para cidade de Fortaleza:

“Tendo sido enviados cerca de 25 000 homens, de um total inicial previsto de 100.000. Mesmo com problemas na preparação e no envio, já na Itália, treinada e equipada pelos americanos, a FEB cumpriu as principais missões que lhe foram atribuídas pelo comando aliado.” (S.N.T)

Na cidade de Fortaleza, já engajado na caserna, passou meses no treinamento preparatório recebendo instrução militar no regimento de artilharia até que, em agosto de 1945, concluído o curso preparatório, quando a sua turma estava prestes a ser embarcada para o front, a temida guerra teve o seu desfecho:

“Em 15 de agosto de 1945 o Japão se rende, sendo os documentos de rendição finalmente assinados a bordo do convés do navio de guerra americano USS Missouri em 2 de setembro de 1945, o que pôs fim à guerra.” (S.N.T)

Faltando apenas nove dias para o embarque, o conflito chegou ao fim e os soldados de seu regimento ficaram de prontidão aguardando qualquer surpresa dos países do Eixo.
Em seu período de confinamento na Forca Expedicionária aprendeu o ofício de cabeleireiro e a aplicar injeções, atividades que executou durante toda a sua vida.
Depois do conflito mundial permaneceu como soldado do Exército Brasileiro até o dia 31 de outubro de 1945, quando foi desengajado e imediatamente ingressou na Companhia de Polícia de Choque da Polícia Militar do Estado do Ceará.
Pouco tempo depois, insatisfeito com o serviço, resolveu voltar para a casa dos seus pais na Fazenda Ponte, onde seguiu a sua pacata vida como agricultor.
Depois disso, passando uma pequena temporada na localidade de São Pedro, conheceu a sua futura esposa, que se chamava Isabel Vieira Maciel, que era nascida no dia 30 de setembro de 1928, sendo filha de Joaquim Vieira Carneiro e de Maria Amélia de Almeida.
Mais tarde, no dia 30 de junho de 1954, com 31 anos de idade, conforme informações existentes no Livro B-15, pertencentes ao Cartório Geraldina, tombo nº 2.278, folha 8, contraiu matrimônio civil perante o juiz da Comarca, Dr. Francisco Barros Fontenele.
Poucos meses depois, na manhã dia 20 de novembro, diante do Pe. Irineu Limaverde Soares, confirmou os seus votos em uma cerimônia realizada na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Desse matrimônio, por curiosidade, foi gerado apenas um filho, sendo ele Francisco Vieira Maciel, mas algum tempo depois adotou como sua uma criança do sexo feminino por nome de Erinalda Pereira Costa.
No dia 9 de junho de 1996, um domingo, por volta das 14 horas, seguindo em seu cavalo pelo acostamento da Rodovia Federal Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, a BR-020, foi colhido por um veículo de placa não identificada, sofrendo um grave traumatismo craniano.
Depois desse grave acidente, foi imediatamente socorrido por populares e encaminhado ao Hospital e Casa de Saúde Adília Maria de Lima, que prontamente o enviou para o Instituto José Frota, na cidade de Fortaleza, aonde, de acordo com o livro C-118, pertencente ao Cartório Norões Milfont, tombo nº 140.153, folha 287v, veio a falecer por volta das 21 horas, tendo o seu óbito sido atestado pelo Dr. Jaime Lopes de Oliveira Filho.
Depois do seu trágico falecimento o seu féretro foi trazido para o Município de Boa Viagem e logo após às despedidas fúnebres que são de costume foi sepultado por seus familiares em um túmulo existente no Cemitério Parque da Saudade, que está localizado na Rua Joaquim Rabêlo e Silva, n° 295, no Centro da cidade de Boa Viagem.

Imagem da coluna tumular de Antônio Apolônio Maciel em 2014.

Imagem da coluna tumular de Antônio Apolônio Maciel, em 2014.

HOMENAGEM PÓSTUMA:

  1. Em sua memória, na gestão do Prefeito José Vieira Filho, o Mazinho, através da lei nº 985, de 19 de dezembro de 2007, uma das ruas do Bairro Floresta, na cidade de Boa Viagem, recebeu a sua nomenclatura.