A Teoria da Presença dos Fenícios no Brasil

INFORMAÇÕES BÁSICAS:

A teoria da presença dos fenícios no Brasil, também referida em outros artigos como simplesmente fenícios no Brasil, é uma teoria levantada por diversos autores afirmando que o nosso país foi visitado por navegadores fenícios na antiguidade a partir de registros sob a forma de inscrições e de artefatos.

Barco fenício singrando os mares.

Representação de um barco fenício singrando os mares.

Infelizmente, mesmo existindo fortes evidências sobre esse polêmico assunto, a comunidade científica internacional não abre mão para admitir esse fato:

“Na versão da história ortodoxa não houve contatos do mundo Médio-Oriente com as Américas antes da chegada do navegador genovês Cristóvão Colombo no ano de 1492”. (LEVERATTO, 2012: p. 1)

Os poucos cientistas que apoiam essa ideia confiam nos testemunhos materiais e nas semelhanças encontradas entre as línguas indígenas do Brasil, da América e as antigas línguas semitas e, ainda, a semelhança de tradições indígenas brasileiras, como por exemplo a mitologia tupi-guarani, com antigas tradições mediterrâneas.

“Em se tratando de língua, é interessante analisar nos idiomas Quíchua, Chibika, Aimará, Guarani, Tupi… vocábulos aramaicos e mesmo árabes antigos, que são encontrados em todos aqueles idiomas, sendo o Quíchua e o Tupi os mais próximos do aramaico e do árabe. Encontram-se também em vários lugares do Brasil inscrições fenícias gravadas em rocha, como por exemplo, as da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro. Na Ilha de Marajó, foram encontradas pedras trabalhadas com inscrições aramaicas, cuja existência é datada de antes da Era Cristã. Estas se encontram no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Existem também os tipos de portos – ‘muralhas’– que os fenícios construíram, como as que se encontram em Batrun, Líbano: no Aquiri-AM e em Alcobaça-BA”. (KHATLAB, 2000: p. 45)

Como fica fácil de perceber, existem fartas evidências sobre esse polêmico e intrigante assunto.

  • Os teóricos:

Alguns dos principais proponentes desta teoria foram: o professor e pesquisador austríaco Ludwig Schwennhagen e o arquelógico amazonense Bernardo de Azevedo da Silva Ramos.
No livro “História antiga do Brasil” o Prof. Schwennhagen expôs essa teoria com base no trabalho de Henrique Onfroy de Thoron sobre as viagens das frotas fenícias a serviço do rei Hirão, de Tiro, e do rei Salomão, de Israel, no Rio Amazonas, entre os anos 993/960 a.C.

“O tratado de Henrique Onfroy de Thoron sobre o suposto país Ophir, publicado em Manaus, em 1876, e reproduzido em As Duas Américas, de Cândido Costa, em 1900, é um trabalho completo que acabou com todas as lendas e conjeturas a respeito das misteriosas viagens da frota de Salomão. Thoron sabia latim, grego e hebraico, e conhecia a língua tupi, como também a língua ‘quíchua’, que é ainda falada nas terras limítrofes entre o Brasil e o Peru. Da Bíblia hebraica prova ele, palavra por palavra, que a narração dada no 1º livro dos Reis, sobre a construção, a saída e viagem da frota dos judeus, junto à frota dos fenícios, refere-se unicamente ao Rio Amazonas. As viagens repetiram-se de três em três anos; as frotas gastaram um ano entre os preparativos e a viagem de ida e volta, e ficaram dois anos no Alto Amazonas, para organizar a procura do ouro e de pedras preciosas. Estabeleceram ali diversas feitorias e colônias, e ensinaram aos indígenas a mineração e lavagem de ouro pelo sistema dos egípcios, descrito por Diodoro, minuciosamente, no 3º livro, cap. 11 e 12. Ali, no Alto Amazonas, exploraram as regiões dos rios Apirá, Paruassu, Parumirim e Tarchicha. (NEVES, 2012: p. 1)

Outras evidências que foram apresentadas, em sua maior parte escritos do alfabeto fenício e da escrita demótica do Egito, também foram encontrados; além de inscrições da escrita suméria, antiga escrita babilônica, letras gregas e latinas.

“Inscrições semelhantes foram encontradas em diversas regiões brasileiras, e no Piauí elas são marcantes. Referindo-se a letreiros encontrados na Serra dos Cariris Velhos, na Paraíba, Ludwig afirma que ‘exame químico dessa tinta revelou a mistura de óxido de ferro com um elemento gomoso vegetal (…) que resistiu ao tempo, com sua cor viva, ao sol e a chuva, durante milênios’. A cor avermelhada assemelha-se às encontradas no Piauí. Fato curioso é a admissão de que essas inscrições foram feitas há milênios, pelas características de suas formas e composição química. ‘As inscrições brasileiras foram escritas por mercantes e mestres de obras de minas’, afirma Ludwig. ‘Foram comunicações deixadas pelas diversas expedições, para indicar o rumo das estradas, as distâncias dos lugares e a situação das minas'”. (BARROS, 2013: p. 2)

O Prof. Schwennhagen citou também o testemunho do historiador grego Diodoro Sículo, que viveu no século I a.C, que tinha conhecimento da viagem de uma frota de fenícios a um lugar desconhecido, que nos dá a entender que atravessaram o Atlântico e chegaram às costas do Nordeste do Brasil através das correntes marítimas propícias a essa difícil travessia.
O autor afirmou ainda que a língua tupi pertence à grande família das línguas pelasgas, um ramo da língua suméria cujas tribos residiam inicialmente em um país chamado Caraíba, um grande pedaço de terra firme localizado onde hoje fica o Mar das Caraíbas, onde eles haviam se refugiado após o desmoronamento de Atlântida.

“O nome Tupi, que significa ‘Filho de Tupã’, foi dado pelos sacerdotes aos povos indígena que habitavam a antiga Atlântida. Eram sete tribos, que fugiram para outra grande ilha, a Caraíba, situada no Mar das Antilhas, em função do desmoronamento da Atlântida. Essa outra ilha teve o mesmo fim, fazendo com que os indígenas fugissem para a região da Venezuela. Segundo Ludwig, a capital Caracas vem da região de Car, trazida pelos sacerdotes que acompanhavam os fenícios. Justifica-se a origem do nome Tupi pela língua dos cários, fenícios e pelasgos, onde o substantivo Thus, Thur, Tus, Tur e Tu significa sacrifícios de devoção. O infinitivo do verbo sacrificar é, no fenício, tu-na, originando tupã. ‘A origem de Tupã, como nome de Deus onipotente, recua à religião monoteísta de Car’, afirma Ludwig”. (BARROS, 2013: p. 2)

Existem muitas histórias sobre esse assunto, que infelizmente, ao longo do tempo, foram sendo esquecidas.

  • A tradição oral indígena:

Segundo a obra “História do Brasil”, de Francisco Adolfo de Varnhagen, existe a confirmação de uma migração dos Caris, tupis da Caraíba, para o norte do continente sul-americano, uma tradição que sobrevive, ou sobrevivia, ainda entre o povo indígena da Venezuela.

“Ao tomarem conhecimento da existência desses povos na Venezuela, os fenícios conseguiram levá-los em seus navios para o Nordeste do Brasil. Os Tupinambás e os Tabajaras contaram ao Padre Antonio Vieira que os povos tupis se dirigiram ao Nordeste do Brasil pelo mar, vindos de um lugar que não existe mais. Os Tabajaras, que se consideravam o povo mais antigo do Brasil, habitavam a região que fica entre o Rio Parnaíba e a serra da Ibiapaba”. (BARROS, 2013: p. 2)

O Pe. Antônio Vieira afirmou que os tupinambás e os tabajaras contaram-lhe várias histórias da tradição oral sobre as suas origens, segundo eles os povos tupis migraram para o Nordeste do Brasil pelo mar, vindos de um país que não mais existia, e que o país era chamado de Caraíba e teria desaparecido, progressivamente, afundando no mar, e os tupis salvaram-se rumando para o continente.
Já os tabajaras diziam-se o povo mais antigo do Brasil, e se chamavam de “tupinambás”, que significa “homens da legítima raça tupi”, desprezando parte dos outros tupis com o insulto “tupiniquim” ou “tupinambarana”, que significa “tupis de segunda classe”, e sempre conservaram a tradição de que os tupis eram originados de sete tribos; e que o povo tapuia, do povo tupi, eram os verdadeiros indígenas brasileiros.
Outra evidência, de acordo com a tese do Prof. Schwennhagen, o continente americano é a lendária ilha das Sete Cidades. Segundo ele a palavra tupi significa “filho, ou crente de Tupã”.
Os piagas, de onde se derivou a expressão pajés, fundaram no Nordeste do Brasil um centro nacional dos povos tupis, chamando este local de Piaguia, de onde surgiu o nome Piauí. Esse lugar era as Sete Cidades, hoje Parque Nacional de Sete Cidades.
No Maranhão, a cidade de Tutóia, teria sido fundada por navegadores fenícios e por emigrantes da Ásia Menor, que chegavam por navios fenícios, e escolheram o local para construir uma praça forte, de onde dominariam a foz do Rio Parnaíba.
Em 1872, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil foi notificado por Joaquim Alves da Costa, falando sobre a sua descoberta em Pouso Alto, às margens do Rio Paraíba, de umas inscrições gravadas em uma pedra.
Uma transcrição da inscrição foi enviada ao IHGB, e onde a principio, o botânico carioca, Ladislau de Souza Mello Netto, fez uma primeira tradução.
Diante de críticas, e da dificuldade em localizar Joaquim Alves da Costa, e a localização exata do lugar, bem como a tal pedra, o botânico declarou que tais inscrições eram apócrifas, porém, o historiador francês Ernest Renan, afirmou que as inscrições eram fenícias, e de cerca de 3000 anos.
Quase um século depois, nos anos 1960, um professor americano, Cyrus H. Gordon, da Universidade Brandeis, em Boston, um reconhecido e notório especialista em línguas mediterrâneas, confirmou que as inscrições encontradas em Pouso Alto eram realmente autênticas inscrições fenícias, até então desconhecidas no século XIX, e as traduziu para o português:

“Somos filhos de Canaã, de Sídon, a cidade do rei. O comércio nos trouxe a esta distante praia, uma terra de montanhas. Sacrificamos um jovem aos deuses e deusas exaltados no ano de 19 de Hirão, nosso poderoso rei. Embarcamos em Ezion-Geber, no mar Vermelho, e viajamos com 10 navios. Permanecemos no mar juntos por dois anos, em volta da terra pertencente à Cam (África), mas fomos separados por uma tempestade, nos afastamos de nossos companheiros e, assim, aportamos aqui, 12 homens e 3 mulheres. Numa nova praia que eu, o almirante, controlo. Mas auspiciosamente possam os exaltados deuses e deusas intercederem em nosso favor”.

Atualmente não há mais dúvidas de que o Brasil está repleto de indícios comprobatórios da passagem dos fenícios, e que eles se concentraram no Nordeste.
Pouco distante da confluência do Rio Longá e do Rio Parnaíba, no Estado do Piauí, existe um lago onde foram encontrados estaleiros fenícios e um porto, com local para atracação dos “carpássios”, navios antigos de longo curso.
Subindo o Rio Mearim, no Estado do Maranhão, na confluência dos Rios Pindaré e Grajaú, está o lago Pensiva, que outrora foi chamado Maracu. Neste lago, em ambas as margens, existem estaleiros de madeira petrificada, com grossos pregos e cavilhas de bronze. O pesquisador maranhense, Raimundo Lopes, escavou ali, no fim da década de 1920, e encontrou utensílios tipicamente fenícios.
No Estado do Rio Grande do Norte, por sua vez, depois de percorrer um canal de 11 quilômetros, os barcos fenícios ancoravam no Lago Extremoz.
O professor austríaco Ludwig Schwennhagen estudou cuidadosamente os aterros e subterrâneos do local, e outros que existem perto da vila de Touros, onde os navegadores fenícios ancoravam após percorrer uns 10 quilômetros de canal.
Na Amazônia, o Prof. Schwennhagen encontrou inscrições fenícias gravadas em pedra, nas quais havia referências a diversos reis de Tiro e Sídon, que foram datados de 865/887 a.C.
O Prof. Schwennhagen acreditava que os fenícios usaram o Brasil como base, durante pelo menos 800 anos, deixando aqui, além das provas materiais, uma importante influência linguística entre os nativos.

  • Os fenícios no Ceará:

No Estado do Ceará a gruta de Ubajara teria sido fruto de escavações, para retirada de salitre, produto comercializado pelos fenícios.

“Nem a gruta de Ubajara escapou da análise polêmica do Prof. Schwennhagen. Para ele, a gruta não é obra da natureza, mas de escavações para a retirada de salitre, por um sistema de filtração artificial ainda hoje usado na Síria e na Ásia Menor. O salitre era largamente utilizado pelos egípcios para embalsamar os mortos. A crença na reencarnação era estimulada pela esperteza comercial dos fenícios, que retiravam o salitre das grutas do interior da Brasil”. (BARROS, 2013: p. 2)

Nas entradas dos Rios Camocim, no Estado do Ceará, Parnaíba, no Estado do Piauí e Mearim, no Estado do Maranhão, existem inclusive muralhas de pedra e cal, semelhantes às muralhas encontradas em Batroun, na costa norte do Líbano, erguidas pelos antigos fenícios.

  • Brasil, um nome fenício?

No Livro “Before Columbus”, do professor Cyro H. Gordon, catedrático da Brandeis University de Boston, que publicou também a primeira gramática da língua ugarítica, afirmou que a origem do nome Brasil é fenícia, de acordo com seus estudos “BRZL” em ugarítico e outras línguas semíticas, significa ferro.
Diversos dicionários também se referem a Brasil como mineral monométrico, sulfeto de ferro, piritas de ferro, tipo de ferro de cor amarela e brilhante, entre outras denominações do gênero. Ele afirmou também, que expressão inglesa “hard as Brazil”, tão duro como Brasil, refere-se mais à dureza do ferro, do que a do pau-brasil.
O Prof. Gordon não parou por aí, ele complementou as suas explicações dizendo que no antigo folclore irlandês existem referencias sobre a “Hy Brasil”, a Ilha do Brasil, no Atlântico, além da Irlanda, que este nome é fenício e que as lendas ainda mencionam o desaparecimento no fundo do mar das ilhas Hy Brasil, e Atlântida, um traço típico dos fenícios que mantinham a política de manter sobre segredo absoluto as suas fontes de riquezas, evitando a concorrência e garantindo o domínio do mercado.
O Prof. Gordon disse ainda que até durante o tempo de Colombo os exploradores europeus do Novo Mundo procuravam pela Ilha do Brasil.
Se a referida Ilha do Brasil fez parte do atual Brasil, não se tem certeza, porém, nenhum outro lugar do mundo, merecia esse nome mais do que o Brasil, onde um dos seus principais recursos naturais continua sendo o ferro, onde o Estado de Minas Gerais detêm 25% das reservas de ferro do país.
As navegações marítimas dos fenícios não visavam apenas o comércio, mas também a coleta de recursos minerais necessários para as tecnologias internacionais.
O Prof. Gordon ainda fez um comparativo interessante sobre os nomes de certos lugares na antiguidade, e como exemplo, citou que na Idade do Bronze, três áreas tinham nomes associados ao metal pelo qual era famoso:

  1. Núbia, nbw em egípcio = rica em ouro;
  2. Hatus, capital do império hitita, prata em ugarítico = rica em prata;
  3. Cyprus, ou Chipre em português, kypros em grego = rica em cobre;
  4. Ilhas Britânicas, eram chamadas de Tin Isles, ou ilhas do estanho = rica em estanho;
  5. Barzel, ferro na maioria das línguas semíticas, inclusive árabe e hebraico = rica em ferro.

Não se esquecendo de que a expansão dos fenícios coincidiu também com a passagem da era do bronze para a era do ferro, o que levou o professor a supor que deveria ter existido uma terra “rica em brazil” em algum lugar do Atlântico, talvez incluindo uma parte do Brasil de hoje, assim, como na época do bronze, existiram lugares chamados “ouro”, “prata”, “cobre” e “estanho”.

Uma ideia sobre “A Teoria da Presença dos Fenícios no Brasil

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